O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trabalham em novas propostas de forte apelo social para a campanha à reeleição de 2026. Entre as medidas em estudo estão a implantação de tarifa zero no transporte público em todo o país e a redução da jornada semanal para quatro dias, sem corte de salário.
Custos da passagem gratuita
Haddad confirmou que a gratuidade nas passagens de ônibus está sendo analisada por determinação de Lula. Relatórios preliminares apontam impacto anual que varia de R$ 57 bilhões, segundo a XP, a R$ 90 bilhões, de acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). O governo avalia possíveis fontes de financiamento e parcerias com estados e municípios, mas ainda não definiu cronograma nem modelo de custeio.
A mera menção ao projeto provocou reação imediata no mercado financeiro. Na segunda-feira (6), a Bolsa de Valores de São Paulo recuou, e analistas passaram a classificar a iniciativa como risco adicional às contas públicas.
Semana de trabalho mais curta
Outra bandeira em discussão é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que extingue a escala 6 × 1 e estabelece carga semanal de 36 horas distribuídas em quatro dias de trabalho e três de descanso, mantendo salários e direitos. O PT já declarou apoio ao texto, e líderes governistas articulam sua tramitação na Câmara e no Senado.
Entidades empresariais se posicionam contra. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alegam que a medida elevaria custos operacionais e prejudicaria a competitividade, sobretudo de micro e pequenas empresas.
Estratégia eleitoral e popularidade
As novas promessas somam-se a outros incentivos já lançados pelo governo, como subsídios ao gás de cozinha, à conta de luz e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Especialistas veem nas propostas um esforço para reforçar a base de eleitores de baixa renda e recuperar popularidade.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em 9 de outubro mostra aprovação do governo em 48% e desaprovação em 49%, empate técnico que reduz a vantagem negativa registrada em pesquisas anteriores.
Lula, entretanto, reconhece a necessidade de manter alianças políticas. Em visita ao Maranhão, em 7 de outubro, afirmou querer preservar ministros filiados a partidos do Centrão e disse acreditar em bom desempenho nas urnas de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo