Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Senado, nesta quarta-feira (7), a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No cargo interinamente desde julho de 2025, o executivo depende agora de sabatina e aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para assumir o mandato definitivo, que vai até 2027.
A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União. Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM fiscaliza cerca de R$ 16,7 trilhões em ativos do mercado financeiro e possui autonomia administrativa, financeira e orçamentária.
Articulação política
Segundo interlocutores no Congresso, Lobo é o preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e de parlamentares do Centrão. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendia o advogado Ferdinando Lunardi, sócio do E. Munhoz Advogados.
Vagas abertas na diretoria
Com a renúncia de João Pedro Nascimento em julho do ano passado, apenas duas das cinco cadeiras da diretoria estão ocupadas atualmente — por Marina Copola e João Carlos Accioly. Além de Lobo, Lula indicou o advogado Igor Muniz, presidente da Comissão de Direito Societário da OAB-RJ, para compor o colegiado.
Trajetória de Lobo
Diretor da CVM desde 2022, o mandato de Otto Lobo expirou em 31 de dezembro de 2025. Se aprovado pelo Senado, ele completará o período restante de cinco anos iniciado por Nascimento.
Decisão polêmica sobre Ambipar
Em julho do ano passado, Lobo participou de julgamento que dispensou a Ambipar de realizar oferta pública de aquisição de ações (OPA). Como diretor e presidente interino, ele deu voto duplo para reverter decisão anterior que exigia a OPA. A área técnica da autarquia havia recomendado a operação em razão da valorização superior a 800 % dos papéis entre maio e agosto de 2024. A suposta manipulação dos preços ainda é investigada.
Com informações de Gazeta do Povo