O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou nesta sexta-feira (9) a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando o tratado como “histórico” para o multilateralismo e alfinetando, de forma indireta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por suas posições protecionistas.
“Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator de crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, escreveu Lula em rede social.
Blocos somam 718 milhões de pessoas
O pacto une mercados que, juntos, reúnem cerca de 718 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22,4 trilhões. Para o governo brasileiro, a parceria amplia mercados, oferece previsibilidade às relações comerciais e fortalece o posicionamento do país no exterior.
Ao longo dos últimos três anos, Lula defendeu abertamente a conclusão das negociações, paralisadas por mais de duas décadas em razão de resistências internas na Europa e disputas políticas globais. Segundo o presidente, os impasses estavam ligados a tentativas de impor regras unilaterais nas tratativas internacionais, referência ao governo Trump.
Mais caminhos para exportações brasileiras
De acordo com Lula, o texto fechado abre novas alternativas para as exportações do Brasil, estimula investimentos produtivos europeus no Mercosul, simplifica normas comerciais e reduz entraves burocráticos para empresas de ambos os lados. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre países e blocos”, declarou.
Trâmites ainda pendentes
Na Europa, uma maioria qualificada de Estados-membros aprovou o acordo, apesar da resistência da França e de protestos de agricultores. A decisão abre caminho para a assinatura formal, prevista para a próxima segunda-feira (12), quando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai — país que exerce a presidência rotativa do Mercosul neste ano.
Mesmo após a assinatura, o tratado precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos nacionais dos países do Mercosul. Esses processos legislativos podem adiar a entrada em vigor do acordo.
Com informações de Gazeta do Povo