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Lucro do Banco do Brasil recua 60% no 2º trimestre com avanço da inadimplência

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Brasília – O Banco do Brasil (BB) encerrou o segundo trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, queda de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a instituição nesta quinta-feira (14).

Pressão da inadimplência

A deterioração das carteiras de crédito foi apontada como principal motivo para o recuo. A taxa de inadimplência total passou de 3% para 4,21% nos últimos 12 meses. Entre pessoas físicas, o índice chegou a 5,59%, ante 4,81% um ano antes, em carteira que representa 26,3% do crédito total. No caso das empresas, a inadimplência subiu de 3,38% para 4,18% no mesmo intervalo.

No agronegócio, segmento responsável por 33,8% da carteira, o atraso superior a 90 dias atingiu 3,49% – alta de 0,45 ponto percentual no trimestre e de 2,17 pontos em 12 meses. Depois de perdas na safra 2024/2025, produtores recorreram a recuperações judiciais, elevando o risco e reduzindo a concessão de novos empréstimos entre abril e junho.

Provisionamento recorde

A necessidade de cobertura para possíveis perdas (PDD) somou R$ 15,9 bilhões, avanço de 104% frente ao segundo trimestre de 2024. O reforço decorre de norma do Banco Central que exige provisão também para créditos com potencial de inadimplência. Desse total, R$ 7,9 bilhões referem-se ao agronegócio, R$ 4,8 bilhões a pessoas físicas e R$ 4,3 bilhões a empresas.

Margem, carteira e novas linhas

A margem financeira bruta alcançou R$ 25,1 bilhões, alta de 4,9% sobre o trimestre anterior e redução de 1,9% em 12 meses. A carteira de crédito totalizou R$ 1,3 trilhão no fim de junho, aumento de 11,2% em um ano e de 1,3% na comparação com março.

Entre as iniciativas recentes, destaca-se o crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, lançado em março. Desde então, foram liberados mais de R$ 7 bilhões, com o BB detendo cerca de 24% do mercado.

Lucro do Banco do Brasil recua 60% no 2º trimestre com avanço da inadimplência - Imagem do artigo original

Imagem: Marcelo Camargo via gazetadopovo.com.br

Impacto no agronegócio

No Plano Safra 2024/2025, o banco desembolsou R$ 225,8 bilhões. Para o ciclo 2025/2026, a projeção é chegar a R$ 230 bilhões, sendo R$ 54 bilhões destinados a pequenos e médios produtores e R$ 106 bilhões para agricultura empresarial, cooperativas e agroindústrias. Apesar de previsão de colheita recorde em 2025, parte dos contratos da safra anterior permanece em aberto, elevando o volume de provisões.

Dividendo reduzido e projeções

Com o lucro menor, a diretoria reduziu a política de distribuição de dividendos de 40%–45% para 30% do resultado, estimando repasse entre R$ 6,3 bilhões e R$ 7,5 bilhões. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, avaliou 2025 como “ano de ajuste” e manteve expectativa de lucro anual entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões.

“Seguimos com investimentos estruturantes para geração de riqueza aos nossos acionistas, oferecendo a melhor experiência e soluções mais adequadas aos nossos clientes”, declarou a executiva no balanço.

Com informações de Gazeta do Povo