A taxa média de juros cobrada pelos bancos brasileiros alcançou 32,8% ao ano em janeiro de 2026, o nível mais elevado desde novembro de 2016, de acordo com dados do Banco Central.
Pressão maior sobre pessoas físicas
Entre os consumidores, a média ficou em 38% ao ano, pico que não era visto desde maio de 2017. No crédito às empresas, a taxa atingiu 21,4% ao ano, o maior custo em mais de uma década. Na comparação com o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, o encargo global subiu 7,8 pontos percentuais.
Spread bancário avança
O spread — diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram nos empréstimos — chegou a 21,9 pontos percentuais, o maior desde abril de 2017. Como o custo de captação manteve-se praticamente estável, o aumento reflete o risco percebido pelas instituições financeiras diante da piora nas condições de pagamento dos tomadores.
Inadimplência em recorde histórico
A parcela de contratos com atrasos superiores a 90 dias atingiu 4,2% em janeiro, maior marca desde o início da série do Banco Central, em 2011. Analistas ouvidos pelo mercado apontam que o encarecimento do crédito e a confiança reduzida na capacidade de pagamento dos clientes explicam o avanço dos calotes.
Selic elevada limita alívio
Mesmo após o primeiro corte desde junho de 2024, a taxa básica Selic recuou apenas de 15% para 14,75% ao ano em março. Com juros reais estimados em 9,23%, o Brasil figura como o segundo país com a taxa real mais alta do mundo, segundo levantamento da Lev Intelligence.
Contas públicas pressionam política monetária
Déficits recorrentes desde 2014 e o aumento da dívida pública — que saltou para 78,7% do PIB até dezembro de 2025 — reduzem o espaço para cortes mais agressivos. Projeções do Boletim Focus indicam endividamento de 83,8% do PIB em 2026 e de 94,1% em 2030, cenário que leva o Banco Central a adotar cautela, segundo declarações do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
Crédito tende a encolher
Com juros altos e risco crescente, grandes bancos planejam ser mais seletivos na concessão de empréstimos ao longo de 2026, afirma Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP. A expectativa é que o crédito continue caro e mais restrito, afetando famílias e empresas nos próximos meses.
Além do encarecimento do dinheiro, a inflação de 4,4% em 12 meses até janeiro e pressões de preços em serviços mantêm o Comitê de Política Monetária (Copom) em ritmo gradual de afrouxamento, sem previsão de quedas significativas no curto prazo.
Com informações de Gazeta do Povo