O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2025 com variação de 4,26%, permanecendo dentro do teto da meta de inflação de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas ainda distante do centro de 3% perseguido pelo Banco Central. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em dezembro, o indicador avançou 0,33%, resultado superior ao de novembro, porém inferior ao verificado no mesmo mês de 2024. O desempenho consolidou a menor inflação anual desde 2018 e representou desaceleração em relação a 2024, quando o IPCA havia alcançado 4,83%.
Energia elétrica lidera pressões
O grupo Habitação foi o principal responsável pela alta de preços em 2025, saltando de 3,06% em 2024 para 6,79%. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial acumulou aumento de 12,31%, impacto equivalente a 0,48 ponto percentual no resultado do ano. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, reajustes entre –2,16% e 21,95% e o maior uso de bandeiras tarifárias, ao contrário dos oito meses de bandeira verde registrados em 2024, pesaram na conta dos consumidores.
Outros grupos que mais subiram
Além de Habitação, destacaram-se as altas em Educação (6,22%), Serviços (6,01%), Despesas pessoais (5,87%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%). Juntos, esses grupos responderam por mais da metade da inflação acumulada em 2025. Os preços administrados pelo governo também aumentaram, passando de 4,66% em 2024 para 5,28%.
Alimentação desacelera e alivia orçamento
Com maior peso no índice, Alimentação e bebidas registrou forte desaceleração: alta de 2,95% contra 7,69% no ano anterior. A alimentação no domicílio foi decisiva, recuando de 8,23% para 1,43% após seis meses consecutivos de queda nos preços. Entre os principais recuos, o arroz caiu 26,56% e o leite longa-vida recuou 12,87%, ajudando a compensar o avanço de serviços e tarifas.
Demais resultados
No acumulado de 2025, os produtos alimentícios subiram 2,95%, enquanto os não alimentícios avançaram 4,64% (4,07% em 2024). Veja o comportamento de outros grupos:
- Transportes: 3,07%
- Vestuário: 4,99%
- Comunicação: 0,77%
- Artigos de residência: –0,28%
Com o resultado de 4,26%, o IPCA permaneceu abaixo do limite da meta pelo segundo ano seguido, refletindo moderação de preços apesar da pressão exercida pelas tarifas de energia elétrica.
Com informações de Gazeta do Povo