Brasília – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou, nesta quinta-feira (21), a suspensão cautelar do contrato com a Crefisa S.A. para o crédito de novos benefícios a aposentados e pensionistas.
A medida não afeta benefícios já em vigor e foi publicada no Diário Oficial da União do mesmo dia. A decisão partiu do presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, após a constatação de uma série de falhas no atendimento aos segurados.
Principais problemas apontados
Entre as irregularidades identificadas pelo órgão estão:
- Dificuldade ou impedimento de saque, com registros de atrasos e recusas de pagamento;
- Portabilidades não autorizadas pelos beneficiários;
- Coação para abertura de conta corrente e venda casada de produtos financeiros;
- Filas extensas, ausência de caixas eletrônicos e espaços físicos inadequados nas agências;
- Ausência de sistema de triagem e emissão de senhas;
- Falta de informações claras e atendimento considerado inadequado.
Segundo o INSS, a decisão foi motivada por reclamações recebidas em Procons, Ministério Público Federal, Ordem dos Advogados do Brasil, Ouvidoria do instituto (via plataforma Fala.BR) e em agências da Previdência Social.
Valor do contrato e próximos passos
A Crefisa venceu, em 2024, 25 dos 26 lotes do leilão da folha de pagamento do INSS para o período de 2025 a 2029. O acordo poderia render cerca de R$ 6 bilhões por ano aos cofres públicos. A empresa foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.
O INSS informou que “não compactua com práticas que acarretem prejuízos ou desconfortos aos beneficiários, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade social”. O órgão mantém a investigação das denúncias e não estabeleceu prazo para conclusão do processo.

Imagem: Marcelo Camargo via gazetadopovo.com.br
Outras instituições sob análise
Dez dias antes, o banco Agibank também foi descredenciado, após denúncias de interceptação de ligações à Central 135 e recusa de portabilidade de benefícios. Apesar da suspensão, segurados que recebem por essas instituições continuam a receber seus pagamentos normalmente, sem necessidade de providências imediatas.
Ressarcimento de vítimas de fraude
A suspensão ocorre em meio à operação de ressarcimento de valores cobrados irregularmente por entidades associativas. Mais de 1,8 milhão de beneficiários já aderiram ao acordo, e outros 613 mil têm direito à devolução. O prazo para contestar cobranças vai até 14 de novembro, mas a adesão continuará aberta para quem se enquadrar nas regras. O procedimento é gratuito e pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS ou nas agências dos Correios.
O instituto reforça que não envia links ou solicita dados pessoais por SMS, não cobra taxas e não utiliza intermediários para qualquer operação.
Com informações de Gazeta do Povo