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Indústria do aço dos EUA alerta governo para avanço chinês sobre níquel brasileiro

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Washington, 26 de agosto de 2025 – A Associação Americana de Ferro e Aço (AISI, na sigla em inglês) enviou carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) advertindo sobre o risco de a China ampliar seu domínio global do níquel caso a MMG Limited conclua a compra das operações da Anglo American no Brasil.

O documento, datado de 18 de agosto e tornado público nesta semana, pede que o governo norte-americano manifeste preocupação ao Executivo brasileiro e busque alternativas “que preservem a propriedade orientada ao mercado desses ativos estratégicos”.

Transação em análise

A MMG Limited, empresa australiana controlada pela estatal chinesa China Minmetals Corporation, pretende adquirir 100% da planta de níquel da Anglo American em Barro Alto, Goiás, avaliada em US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões). Em 2023, o complexo produziu aproximadamente 40 mil toneladas do metal, segundo a AISI.

Preocupação com concentração

Na avaliação da entidade, a operação colocaria “parcela substancial” das reservas brasileiras sob influência de Pequim e se somaria ao controle chinês sobre a produção na Indonésia — país com as maiores jazidas conhecidas do mineral. Juntas, as reservas de Brasil e Indonésia representam quase metade dos recursos mundiais de níquel.

O presidente da AISI, Kevin Dempsey, lembra que o metal responde por cerca de 65% da demanda global de aço inoxidável e observa que sua oferta está concentrada em poucos países. “Como resultado dos grandes investimentos chineses nas reservas e produção da Indonésia, a China já controla uma parcela significativa da produção global de níquel”, afirma a correspondência.

Distorções de mercado

A carta menciona ainda que Washington já registrou subsídios estatais, financiamentos não orientados ao mercado e restrições de exportação praticadas por Pequim no setor de matérias-primas. Segundo a AISI, a compra das operações brasileiras da Anglo American se encaixa nessa estratégia de expansão.

Consultados pela reportagem, o governo brasileiro e o Ministério das Relações Exteriores ainda não se pronunciaram sobre o teor do documento.

Com informações de Gazeta do Povo