Brasília – 17.mar.2026 – Projeções de universidades, federações empresariais e centros de pesquisa indicam que a possível extinção da escala de trabalho 6×1, prioridade do governo Lula em ano eleitoral, pode gerar perdas de até 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e elevar o custo da mão de obra em até 22% sem redução proporcional de salários.
Principais estimativas
Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre)
- Estudo de novembro de 2024 estimou retração imediata de 2,6% do PIB com jornada de 40 horas e de 7,4% se fixada em 36 horas.
- Nova simulação, divulgada em abril de 2025, calculou queda entre 3,8% e 6,9% do PIB; em cenário extremo, o recuo poderia chegar a 11,3%.
- Setores mais afetados: transportes, extrativas e comércio. Apenas o agronegócio apresentou capacidade de absorção do aumento de custos.
Centro de Liderança Pública (CLP)
- Relatório de fevereiro de 2026 aponta redução de 0,7% na produtividade por trabalhador.
- Previsão de corte de 1,1% nos empregos formais, o equivalente a cerca de 640 mil vagas.
- Impacto potencial de R$ 88 bilhões no PIB de 2025.
Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg)
- Estudo de março de 2025 projeta perda de até R$ 2,9 trilhões em faturamento – 16% do PIB de 2024.
- Possível eliminação de 18 milhões de postos de trabalho e redução de R$ 480 bilhões na massa salarial.
- Alerta para avanço da automação e aumento da informalidade.
FecomercioSP
- Análise estima alta de 22% no custo do trabalho sem ajuste salarial proporcional.
- Medida afetaria 63% dos contratos formais, chegando a 92% na agricultura e 91% na construção civil.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
- Documento de fevereiro de 2026 sustenta que o mercado poderia absorver a mudança de forma semelhante ao reajuste anual do salário mínimo.
- Impacto operacional médio de 1% em comércio e indústria; maior efeito (6,6%) em vigilância e segurança.
Confederação Nacional do Comércio (CNC)
- Levantamento indica necessidade de criar 980 mil vagas para manter operação do setor com jornada de 40 horas.
- Perdas estimadas: R$ 122,4 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões em serviços.
- Elevação de 21% no custo do trabalho se não houver redução salarial.
Confederação Nacional da Indústria (CNI)
- Pesquisa divulgada em 27.fev.2026 aponta perdas anuais de R$ 267 bilhões na economia.
- Sul e estado de São Paulo seriam as regiões mais afetadas, com prejuízos de R$ 54 bilhões e R$ 95 bilhões, respectivamente.
- Previsão de acréscimo de até 7% na folha de pagamento das empresas.
Mesmo com divergências na intensidade dos efeitos, os estudos convergem ao indicar que a redução da jornada sem corte proporcional de salários elevaria o custo por hora trabalhada, pressionando margens empresariais, preços e nível de emprego.
Com informações de Gazeta do Povo