Brasília — O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), criticou nesta segunda-feira (23.mar.2026) a estratégia da oposição de recorrer ao Judiciário para suspender a lei que autoriza o pacote de socorro ao Banco de Brasília (BRB). A norma permite a utilização de imóveis públicos, a injeção de recursos e a contratação de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Estamos fazendo nossa parte para salvar o BRB, mas a oposição quer politizar o tema e está jogando contra por razões meramente eleitoreiras. Vamos ver onde isso vai dar”, afirmou o governador em entrevista ao portal Metrópoles.
Liminar barra uso da Serrinha do Paranoá
A ofensiva judicial mais recente foi apresentada por parlamentares do Partido Verde (PV). Eles obtiveram liminar que impede o governo distrital de vender, aplicar em fundos de investimento ou alienar de qualquer forma a área conhecida como Serrinha do Paranoá, classificada como de interesse ambiental.
Na decisão, o juiz Carlos Frederico Marojá de Medeiros, da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), acusou o Executivo de tentar compensar a “péssima gestão do banco público” por meio de “tenebrosas transações” com o Banco Master. Ibaneis informou que já prepara recurso contra a liminar.
Vitória anterior do governo
Na semana anterior, o governo conseguiu reverter, em segunda instância, outra liminar que havia suspendido toda a lei de socorro ao BRB. O desembargador Roberval Casemiro Belinati, do TJDFT, entendeu que a suspensão colocava em risco a “ordem administrativa e econômica”, anulando decisão obtida pelo PSB que questionava a falta de estudos sobre o potencial estratégico dos imóveis envolvidos.
Votação na CLDF foi marcada por tensão
A apreciação do projeto, em 3 de março, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), já indicava a possibilidade de judicialização. Manifestantes favoráveis e contrários lotaram o plenário. Na tribuna, a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) exibiu um cheque em branco para simbolizar o que classificou como falta de controles no texto aprovado.
Até o momento, o Palácio do Buriti mantém o cronograma de capitalização do BRB, mas os recursos só poderão ser mobilizados após a conclusão das batalhas judiciais.
Com informações de Gazeta do Povo