Brasília, 30 de outubro de 2025 – A rápida difusão da inteligência artificial (IA) pode provocar uma onda de desemprego sem precedentes nos próximos quatro anos, atingindo inclusive profissionais de classe média. O alerta é do economista e ex-ministro Adolfo Sachsida, que trata do tema no e-book gratuito “Princípios de economia e os desafios da inteligência artificial: a economia na era do preço zero”, lançado pela Gazeta do Povo.
Sachsida sustenta que a revolução em curso representa uma “quebra estrutural” semelhante à da Primeira Revolução Industrial (1760-1850). Segundo ele, a velocidade das mudanças inviabilizará a realocação rápida da mão de obra, gerando um “tsunami” de desemprego que deve atingir tanto trabalhadores de baixa qualificação quanto profissionais altamente especializados.
Profissões em risco imediato
O autor lista ocupações vulneráveis em vários níveis:
- Alta qualificação: advogados, economistas, contadores, programadores e professores podem ver equipes enxutas substituídas por sistemas de IA, restando apenas núcleos de supervisão humana.
- Classe média-baixa: porteiros, secretárias, motoristas e atendentes correm o risco de perder espaço para serviços digitais e automação.
- Setores específicos: escolas de idiomas, tradução de textos, dublagem e agências bancárias físicas tendem a enxugar quadros diante de ferramentas de tradução automática e transações on-line.
Escassez de tempo para adaptação
Para ilustrar a rapidez do processo, Sachsida lembra que a primeira versão aberta do ChatGPT surgiu em novembro de 2022, enquanto o GPT-5 foi apresentado em agosto de 2025. Em paralelo, o Grok 1.0 foi anunciado em novembro de 2023 e já chegou à versão 3.0 em fevereiro de 2025, impulsionado pelo barateamento de hardware e por avanços de software.
Previsões de grandes empresas reforçam o alerta
Documentos internos da Amazon, obtidos pelo The New York Times, indicam planos para automatizar funções que hoje empregam cerca de 500 mil pessoas. O caso é citado por Sachsida como exemplo do poder disruptivo da IA.
Intervenção estatal e renda básica
Embora defenda que falhas de governo costumem ser mais prejudiciais que falhas de mercado, o economista argumenta que, diante da magnitude da atual revolução tecnológica, a intervenção pública será necessária. Ele recomenda ajustes urgentes em políticas educacionais e assistenciais, além de considerar uma renda básica universal como medida para amortecer os efeitos do desemprego em massa.
Para Sachsida, criar um colchão de proteção social daria tempo às famílias para se adaptarem ao novo cenário econômico, enquanto o mercado absorve as transformações impostas pela inteligência artificial.
Com informações de Gazeta do Povo