São Paulo, 2 de abril de 2026 – O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira (2) que a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — apelidada de “taxa das blusinhas” — foi aprovada em conjunto por governadores e pelo Congresso Nacional, com apoio quase unânime inclusive de parlamentares da oposição.
Em entrevista ao ICL Notícias, Haddad disse que a medida não pode ser atribuída apenas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas, inclusive aqui em São Paulo, e a direita não reclama dele”, declarou, referindo-se ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Pressão do varejo nacional
O ex-ministro relatou que a iniciativa surgiu após pressões de grandes redes varejistas brasileiras incomodadas com a concorrência de produtos importados de baixo custo. “Diante da pressão do varejo brasileiro — o Velho da Havan, o pessoal da Riachuelo, todos bolsonaristas —, os governadores decidiram cobrar a taxa”, afirmou.
Segundo Haddad, o projeto que resultou na taxação foi aprovado “100% por todos os partidos” no Congresso. Ele criticou a utilização política do tema e disse que até aliados têm propagado a ideia de que a decisão partiu exclusivamente do Executivo federal.
Rejeição popular e impacto na arrecadação
Apesar das justificativas de proteção econômica, a medida é rejeitada por 62% dos entrevistados em pesquisa da Atlas Intel/Bloomberg, que a apontam como um dos principais equívocos do terceiro mandato de Lula.
Em vigor desde agosto de 2024, a alíquota de 20% incide diretamente nos carrinhos de compra de plataformas digitais. Dados da Receita Federal mostram que, no primeiro ano de aplicação, as compras internacionais feitas por brasileiros caíram 11% em relação ao ano anterior, enquanto a arrecadação do tributo avançou 40%.
Haddad encerrou dizendo não compreender por que apenas o governo federal é cobrado publicamente: “A narrativa foi construída para fins eleitorais”, resumiu.
Com informações de Gazeta do Povo