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Haddad aponta “guerra de versões” antes da intervenção no Banco Master

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que uma “disputa de narrativas” cercou as operações do Banco Master antes de o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial da instituição e a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, que prendeu preventivamente o proprietário, Daniel Vorcaro, em 27 de fevereiro de 2026.

Em entrevista concedida na sexta-feira (27) ao Flow Podcast, Haddad relatou que especialistas do setor financeiro alertavam para o risco de colapso do banco, que oferecia CDBs remunerados a 140% do CDI. “Era uma turma que entendia do riscado dizendo: ‘isso vai estourar, não é sustentável’. Do outro lado, pintavam o dono como um gênio, e diziam que as críticas vinham porque os grandes bancos estavam incomodados”, contou.

Silêncio por “razões funcionais”

O ministro revelou que tinha conhecimento prévio do processo que resultaria na intervenção do BC, mas optou por não se pronunciar. Segundo ele, qualquer declaração poderia ser usada pelo Banco Master para questionar a legalidade da decisão. “Eu não podia falar antes da liquidação. Poderia parecer que eu precipitei a crise”, justificou.

Dúvidas sobre a demora nas investigações

Haddad questionou a lentidão das apurações. Para o ministro, havia indícios de problemas nos seis anos em que o banco registrou crescimento acelerado. “Nos seis anos em que o banco cresceu, ninguém entendeu o que estava acontecendo? Essa pergunta está em todo canto”, disse.

Modelo de captação contestado

A investigação aponta que o Banco Master emitia Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro real para sustentar a rentabilidade acima do mercado. No mesmo dia em que Vorcaro foi preso, o BC determinou a liquidação da instituição.

Discussão sobre garantia de depósitos

Em 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) protocolou PEC que eleva o teto da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta ganhou força em meio à repercussão de casos como o do Banco Master.

Com a liquidação, 12,4 milhões de clientes e 515 funcionários foram afetados, segundo estimativa do sindicato da categoria.

Com informações de Gazeta do Povo