Brasília, 29 de outubro de 2025 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo do Rio de Janeiro “tem feito praticamente nada” para enfraquecer financeiramente as facções criminosas que atuam no estado, sobretudo por meio do combate ao contrabando e à fraude de combustíveis.
Em conversa com jornalistas, Haddad citou o governador Cláudio Castro (PL-RJ) ao destacar que golpes no setor de combustíveis são hoje “uma das principais fontes de financiamento do crime organizado no país”. O ministro defendeu maior ação estadual para impedir a circulação de recursos obtidos com sonegação, refino simulado e distribuição de produto adulterado.
Operação mais letal da história fluminense
As declarações ocorreram um dia após megaoperação da Polícia Civil e da Polícia Militar no Rio, que, segundo dados oficiais, resultou na morte de 64 pessoas e na prisão de 81 suspeitos ligados ao Comando Vermelho. A ofensiva, planejada em dois meses após um ano de investigação, cumpriu 81 dos 100 mandados de prisão contra líderes da facção no Rio e no Pará.
Atuação federal
Haddad afirmou que a Fazenda, a Receita Federal e outros órgãos vêm bloqueando esquemas de fraude no setor de combustíveis. Segundo ele, quatro navios vinculados ao crime organizado foram apreendidos recentemente, e há disputa judicial para impedir a liberação das cargas.
“Sem dinheiro, o crime tem pouca capacidade de atuação”, afirmou o ministro, reiterando que a estratégia prioritária é sufocar financeiramente milícias e facções.
PEC da Segurança Pública
O ministro voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que amplia a coordenação da União sobre as polícias estaduais. Para Haddad, a medida permitiria uma atuação “mais coordenada e eficiente” contra organizações criminosas.
Troca de acusações
Na terça (28), após a operação, Cláudio Castro declarou que o estado atuou sem apoio federal e que pedidos de ajuda foram rejeitados. A fala foi imediatamente contestada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que garantiu ter atendido todas as solicitações. Haddad e Lewandowski devem se reunir com Castro ainda hoje para discutir o tema.
O governador não comentou diretamente as críticas de Haddad até o fechamento desta edição.
Com informações de Gazeta do Povo