Brasília – O Tesouro Nacional iniciou nesta semana a maior intervenção no mercado de títulos públicos desde 2013. Entre segunda-feira (16) e quinta-feira (18), o órgão suspendeu os leilões tradicionais e passou a recomprar papéis que venceriam entre 2028 e 2035, somando até agora R$ 43,6 bilhões.
O volume supera o recorde anterior, registrado em 2020, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões durante a fase mais aguda da pandemia de Covid-19. Na prática, o governo antecipa o pagamento aos investidores para conter uma possível onda de vendas motivada pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo.
Com o barril em alta, cresce o risco de que os detentores dos títulos aceitem se desfazer dos papéis com deságio, pressionando as cotações e, por consequência, elevando as taxas de juros – já que, no mercado de renda fixa, preço e rendimento caminham em direções opostas.
A iniciativa ocorre na mesma semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, contrariando a prática habitual do Tesouro de evitar ações extraordinárias nesses períodos.
Pressão sobre combustíveis e greve de caminhoneiros
O aumento do petróleo também impactou o preço do diesel. Para conter a alta, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins e ofereceu subsídios a produtoras e importadoras, prevendo redução de R$ 0,32 por litro. A Petrobras aderiu, mas, no mesmo dia, anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro.
Diante da possibilidade de paralisação da categoria, o Palácio do Planalto prometeu intensificar as fiscalizações sobre o cumprimento do piso nacional do frete, instituído após a greve dos caminhoneiros de 2018.
As recompras do Tesouro prosseguem até esta quinta-feira (18), sem previsão de novas intervenções após essa data.
Com informações de Gazeta do Povo