Home / Economia / Conflito no Irã pressiona petróleo, dólar e inflação e já afeta setores chave no Brasil

Conflito no Irã pressiona petróleo, dólar e inflação e já afeta setores chave no Brasil

ocrente 1772929182
Spread the love

Brasília, 7 de março de 2026 – A ofensiva militar lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro provocou uma onda de incerteza que rapidamente chegou à economia brasileira. A disparada do preço do petróleo, a valorização do dólar e possíveis gargalos no fornecimento de fertilizantes tendem a encarecer combustíveis, alimentos e frear cortes na taxa básica de juros.

Por que o petróleo subiu 22,9%

A cotação do barril avançou quase 23% depois que o mercado passou a temer interrupções no Estreito de Ormuz, corredor por onde transitam 20% do petróleo e 25% do gás natural consumidos no mundo. Qualquer risco logístico nessa rota estratégica eleva preços preventivamente.

Quem ganha no curto prazo

Com o barril mais caro, o Tesouro Nacional e petroleiras como a Petrobras aumentam arrecadação de impostos e royalties. Analistas calculam que cada acréscimo de US$ 10 na cotação pode injetar bilhões de reais nos cofres públicos e reforçar o superávit da balança comercial, já que o Brasil é grande exportador de óleo bruto.

Perdedores imediatos

Aviação e transporte rodoviário sentem primeiro o impacto. O querosene de aviação subiu, voos foram cancelados, e motoristas de aplicativo ou transportadoras enxergam margens mais apertadas até que tarifas sejam reajustadas. No mercado financeiro, investidores redirecionam recursos a destinos considerados mais seguros, retirando capital do país.

Risco para a produção de alimentos

O Brasil compra boa parte dos fertilizantes do Oriente Médio: 35% da ureia usada nas lavouras vêm da região. Com rotas marítimas mais caras e inseguras, o custo para o agricultor pode subir e, consequentemente, os preços de itens básicos no supermercado. Além disso, o Irã está entre os maiores compradores do milho brasileiro; a demanda tende a recuar durante o conflito.

Pressão sobre o Banco Central

A combinação de combustíveis mais caros e dólar valorizado eleva a inflação. Antes dos combates, o mercado estimava cortes mais robustos na Selic. Agora, o Banco Central pode optar por manter juros elevados ou reduzir o ritmo de afrouxamento para conter a alta de preços, o que esfria o crescimento econômico.

Especialistas afirmam que, enquanto durar a tensão no Golfo Pérsico, volatilidade nos mercados deve persistir e exigir ajustes frequentes de empresas, consumidores e autoridades monetárias.

Com informações de Gazeta do Povo