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GPA e Raízen podem inaugurar nova onda de reestruturações empresariais no Brasil, diz especialista

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São Paulo — Os pedidos de recuperação extrajudicial apresentados por Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Raízen indicam que outras companhias brasileiras podem seguir o mesmo caminho, avalia o especialista em reestruturação empresarial Max Mustrangi.

GPA recebe aval da Justiça

Na quarta-feira, 11 de março, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aprovou o plano de recuperação extrajudicial do GPA. A varejista busca reorganizar um passivo de aproximadamente R$ 4,5 bilhões, pressionado pelos juros básicos de 15% ao ano. O acordo engloba cerca de 80% das dívidas junto aos credores.

Raízen enfrenta maior caso do país

A Raízen iniciou o maior processo de recuperação extrajudicial já registrado no Brasil, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Judicial (Obre). As obrigações da companhia somam R$ 65,1 bilhões, mas apenas metade desse montante foi incluída no pedido. Mustrangi lembra que, além da flexibilidade dos bancos, a empresa ainda precisa da concordância de debenturistas, bondholders e detentores de CRAs, que já acumulam perdas expressivas.

Outras empresas no radar

O movimento acende o alerta para companhias como Braskem, Oncoclínicas e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN):

Braskem — As ações caíram 6,97% no pregão de sexta-feira, 13 de março, fechando a R$ 11,35, em meio à maior crise da história da petroquímica. No mesmo período, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a controladora Novonor a transferir seus direitos à gestora IG4.

Oncoclínicas — A rede de saúde lida com desgaste de imagem após a entrada do Banco Master em 2024, quando passou a deter 15% do capital. Houve ainda aplicações de R$ 450 milhões em CDBs da instituição. A dívida total é estimada em R$ 4,8 bilhões. A companhia informou estar negociando prorrogação de prazos com credores e classificou quaisquer informações adicionais como “especulativas”.

CSN — A siderúrgica acumula dívida líquida próxima de R$ 40 bilhões. O avanço do dólar durante a pandemia impulsionou o endividamento, e os papéis CSNA3, que já custaram R$ 50, fecharam a R$ 5,72.

A reportagem também procurou Braskem e CSN; ambas não se manifestaram até o fechamento deste texto.

Com informações de Gazeta do Povo