Brasília – A possibilidade de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros em março de 2026 reacendeu temores no Palácio do Planalto de que se repita o colapso logístico registrado em 2018, quando o país ficou praticamente parado por dez dias.
O que deflagrou a greve de 2018
O movimento começou após sucessivos aumentos no preço do diesel, resultado da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada então pela Petrobras. O modelo repassava quase diariamente às refinarias as variações do dólar e da cotação internacional do petróleo. Para motoristas autônomos, que trabalham com fretes de valores fixos, a imprevisibilidade de custos tornou a atividade inviável.
Impacto imediato na população
Em poucos dias, mais de 90% dos postos de combustíveis ficaram sem estoque em vários estados, prateleiras de supermercados esvaziaram-se de itens perecíveis e aeroportos cancelaram voos por falta de querosene de aviação. Capitais reduziram o transporte coletivo por escassez de diesel.
Como funciona o PPI
Pelo PPI, o preço do diesel nas refinarias brasileiras acompanha o valor praticado no mercado internacional, acrescido de custos de transporte e margens de risco. Entre julho de 2017 e maio de 2018, o combustível subiu mais de 56%. Caminhoneiros defendiam que tributos como Cide e PIS/Cofins fossem usados como amortecedores para conter a alta na bomba.
Setores mais atingidos
A paralisação deixou marcas profundas no agronegócio e na indústria. A falta de ração causou a morte de milhões de aves e produtores de leite jogaram fora parte da produção. A indústria registrou, em maio de 2018, queda de 10,9% — pior resultado mensal desde a crise de 2008 — e as projeções de crescimento do PIB foram revistas para baixo.
Desfecho e lições
O impasse terminou após o governo anunciar um pacote de R$ 13,5 bilhões, que incluiu redução de R$ 0,46 no litro do diesel e criação de uma tabela de frete mínimo. A crise provocou ainda a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras. O episódio expôs a vulnerabilidade da economia brasileira, altamente dependente do transporte rodoviário, tema que volta ao debate com a nova ameaça de greve.
Com informações de Gazeta do Povo