O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encaminhou ofício à Câmara de Comércio Exterior (Camex) defendendo a criação de cotas para as empresas brasileiras que vendem carne bovina à China. A medida, segundo o documento, busca proteger o setor de um possível colapso de preços e de empregos após Pequim impor salvaguardas às compras do produto.
A restrição chinesa, válida para 2026, fixa em 1,1 milhão de toneladas o volume que poderá entrar no país asiático com tarifa de 12%. Qualquer excedente será taxado em 67% (12% da alíquota regular mais 55% de sobretaxa), patamar considerado proibitivo pelo governo brasileiro.
Assinado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, o ofício estima que a demanda chinesa pode recuar 35% neste ano, algo próximo a 600 mil toneladas. Sem uma ação coordenada de Brasília, avalia o texto, haverá “forte desorganização dos fluxos comerciais” em toda a cadeia pecuária.
Riscos citados pelo Mapa
No documento, o ministério elenca possíveis consequências da ausência de controle:
- corrida das indústrias para antecipar embarques e garantir parte da cota chinesa;
- queda interna dos preços pela disputa entre frigoríficos;
- sobrecarga de outros mercados caso a produção destinada à China seja redirecionada;
- impacto sobre criadores em regiões dependentes da pecuária; e
- preenchimento das cotas apenas por grandes conglomerados.
Como funcionaria o controle
A proposta prevê repartir a cota de exportação entre os frigoríficos de forma proporcional ao histórico recente de vendas ao mercado chinês. Também está sugerida uma “reserva técnica” para contemplar novos e pequenos exportadores. O acompanhamento seria feito por meio de licenças de exportação, que bloqueariam automaticamente embarques acima do limite de cada empresa.
Entre as companhias habilitadas a vender para a China estão gigantes como JBS, Minerva e Marfrig.
Peso da China nas vendas brasileiras
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China foi o principal destino da carne bovina brasileira em janeiro. As compras somaram 123,2 mil toneladas, alta de 35% sobre o mesmo mês de 2025 (91,2 mil toneladas).
O ofício do Mapa foi enviado à secretaria-executiva da Camex. A recomendação é que o tema seja analisado na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex), marcada para quinta-feira, 12 de fevereiro.
Com informações de Gazeta do Povo