O Palácio do Planalto deve publicar um decreto que autoriza a União a oferecer garantia a um empréstimo de R$ 20 bilhões para os Correios sem encaminhar o tema ao Congresso Nacional. A estratégia busca reduzir a responsabilidade de técnicos caso a estatal deixe de honrar parcelas do financiamento, aprovado na semana passada.
Na sexta-feira (28), o conselho de administração dos Correios deu sinal verde ao crédito junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A Caixa Econômica Federal ficou de fora da composição. O Tesouro Nacional se comprometerá a cobrir eventuais inadimplências, o que praticamente elimina o risco para os bancos.
Sem garantias próprias suficientes, a empresa depende do respaldo federal para acessar os recursos. Parte do montante servirá para quitar um débito de R$ 1,8 bilhão contratado neste ano com instituições privadas, que já consome grande parcela dos recebíveis da companhia.
Os Correios acumulam prejuízo recorde de R$ 6 bilhões em 2025. Apesar do cenário, o governo aposta em um plano de reestruturação dividido em três frentes: recuperação financeira, consolidação do modelo de negócios e crescimento estratégico. A meta é reduzir o déficit em 2026 e voltar ao lucro em 2027.
Fontes ligadas às discussões afirmam que a obrigação de manter serviços em todos os municípios – a chamada universalização – deverá ser revista durante o processo de reestruturação para tornar a operação sustentável.
A estatal informou que finaliza a documentação exigida pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), responsável por analisar e aprovar a concessão da garantia. As condições financeiras do empréstimo ainda estão em negociação e não foram divulgadas.
Segundo comunicado dos Correios, todas as informações sobre o plano de reestruturação e sobre o andamento da operação de crédito serão divulgadas pelos canais institucionais da empresa.
Com informações de Gazeta do Povo