Brasília – Anunciada em 5 de fevereiro, a elevação do Imposto de Importação (II) para bens de capital e de informática com similar nacional promete reforçar o caixa federal em ao menos R$ 14 bilhões, mas acende o sinal de alerta entre empresas que dependem de equipamentos importados. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chega em meio à taxa básica de juros de 15% ao ano – o maior patamar em quase duas décadas – e amplia a preocupação com a desaceleração dos aportes privados.
Investimentos perdem fôlego
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os investimentos haviam avançado 6% no terceiro trimestre de 2025. Dados mais recentes do Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), porém, indicam que a formação bruta de capital fixo cresceu apenas 1,3% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2025, o menor resultado desde fevereiro de 2024. O segmento de máquinas e equipamentos acumula quatro trimestres seguidos de retração, enquanto a construção civil ainda avança, mas em ritmo menor.
Arrecadação em alta com comércio exterior
No Orçamento de 2026, o governo já havia previsto o aumento do II como fonte adicional de receita. Em 2024, os tributos sobre comércio exterior – dos quais o II é o principal – representaram 0,66% da arrecadação federal, maior participação em três anos, de acordo com o Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre.
Setores mais afetados
O reajuste atinge especialmente ramos de alta intensidade de capital, como:
- Indústria de transformação (metalmecânica, automotiva, alimentos, química);
- Infraestrutura e energia (geração, transmissão, fontes renováveis);
- Mineração, óleo e gás;
- Agronegócio (tratores, colheitadeiras, sistemas de irrigação);
- Saúde, saneamento e telecomunicações, em menor escala.
Em 2024, as importações de equipamentos industriais somaram US$ 39,2 bilhões, o maior volume desde 2008, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Indústria nacional apoia medida
Em nota técnica, o Ministério da Fazenda afirmou que o reajuste recompõe alíquotas provisoriamente reduzidas e protege a produção interna de bens com similares fabricados no país. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestaram apoio.
Para o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, o realinhamento “corrige distorções provocadas pelo Custo Brasil e ajuda a recompor a capacidade produtiva”. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, de janeiro a novembro de 2025, os investimentos em máquinas nacionais caíram 3%, enquanto os aportes em equipamentos importados subiram 23,2% na comparação com igual período de 2024.
Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI, ressalta que “o patamar punitivo da Selic encareceu o crédito, freando investimentos e consumo de produtos industriais”.
Sem necessidade de aval do Congresso, a mudança no II entrou em vigor imediatamente após a publicação do decreto, reforçando o esforço do governo para cumprir a meta fiscal, ainda que sob críticas de setores que veem risco adicional ao crescimento.
Com informações de Gazeta do Povo