Home / Economia / Governo descarta incentivos a empresas caso escala 6×1 seja abolida, afirma ministro

Governo descarta incentivos a empresas caso escala 6×1 seja abolida, afirma ministro

ocrente 1773498022
Spread the love

Brasília – O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, declarou nesta sexta-feira (14) que o governo federal não planeja oferecer benefícios fiscais ou compensações financeiras a empregadores caso avance a proposta de reduzir a jornada semanal e encerrar o regime 6×1 de trabalho.

“Não vejo, no caso da jornada de trabalho, que caiba qualquer tipo de compensação financeira”, afirmou Marinho durante evento promovido pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Sescon).

Estudos apontam impactos econômicos

Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre) indica que a mudança pode provocar a eliminação de aproximadamente 638 mil postos formais e reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,7%, afetando principalmente construção civil, comércio e agropecuária.

Outra análise do mesmo instituto projeta queda de até 6,2% na atividade econômica caso a carga horária passe diretamente de 44 para 36 horas semanais sem redução salarial. Segundo os pesquisadores, o mercado teria dificuldade para absorver os custos devido ao avanço médio de produtividade de apenas 0,5% ao ano.

Proposta do governo

Marinho reforçou que o Executivo trabalha com a meta inicial de 40 horas semanais e duas folgas, permitindo negociação coletiva sobre a organização dos turnos. “Não há possibilidade de falar em 36 horas agora em 2026. Podemos falar em 40 e projetar quando é possível chegar às 36”, disse.

Para setores que operam de forma contínua, como serviços 24 horas, o ministro afirmou que ajustes específicos poderão ser fechados em acordos entre empresas e trabalhadores.

Ano eleitoral não impede debate

Criticado pela oposição por tratar do tema em ano eleitoral, Marinho afirmou que a discussão atende a “clamor do povo trabalhador” e não deve ser adiada: “Quem quiser votar contra, que vote contra”.

Apesar das previsões negativas, o ministro sustentou que melhores condições de trabalho podem elevar a produtividade e reduzir ausências, doenças e acidentes, gerando ganhos indiretos para o setor privado.

Com informações de Gazeta do Povo