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Governo avalia destino de Angra 3; R$ 24 bilhões separam conclusão e abandono

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O Palácio do Planalto pretende decidir até o fim deste semestre se retoma ou encerra em definitivo a construção da usina nuclear Angra 3, iniciada há mais de 40 anos. Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que os custos são praticamente equivalentes: concluir a obra exigiria cerca de R$ 24 bilhões, enquanto desistir pode custar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, valor destinado a rescisões contratuais, desmontagem do canteiro, devolução de incentivos fiscais e multas por cancelamento de financiamentos.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, confirmou que o impasse passa pelo peso financeiro semelhante entre as duas alternativas. “Não é simples parar porque tem custos em não continuar. E o custo de não continuar é muito próximo ao de continuar”, afirmou à Reuters.

Segundo o presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, a construção inacabada consome R$ 1 bilhão anuais das receitas geradas pelas usinas vizinhas Angra 1 e Angra 2, o que, segundo ele, pode levar a estatal a um colapso financeiro comparável ao enfrentado pelos Correios.

O veredito sobre Angra 3 também depende de:

  • Negociações com novos investidores privados, entre eles a holding J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista;
  • Homologação, ainda pendente, de acordo que desobrigou a Eletrobras de aportar recursos na usina após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há divisão. A equipe econômica alega que o alto custo pode tornar a energia gerada inviável, enquanto o Ministério de Minas e Energia considera o projeto estratégico para ampliar a matriz de baixa emissão do país.

Esther Dweck destacou ainda o caráter estratégico do programa nuclear brasileiro, lembrando que apenas Brasil, China, Estados Unidos e Rússia dominam todo o ciclo do urânio, sendo o Brasil o único a utilizar a tecnologia exclusivamente para fins pacíficos.

A decisão caberá ao Conselho Nacional de Política Energética, colegiado que reúne ministros e especialistas do setor. Angra 3 acumula paralisações por falta de recursos, investigações de corrupção pela Operação Lava Jato e tentativas frustradas de retomada, a mais recente em 2022.

Com informações de Gazeta do Povo