Brasília — 24.fev.2026 (terça-feira) – A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a criticar reportagens que apontam impactos econômicos negativos caso seja extinta a jornada 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) no país.
Nas últimas semanas, veículos de imprensa divulgaram levantamentos de confederações do comércio e da indústria, além de consultorias, que estimam custos adicionais de até R$ 267 bilhões por ano para empresas, aumento de 22% no valor da hora trabalhada (segundo a FecomercioSP) e elevação da informalidade. A ministra rebateu especialmente matéria do jornal Valor Econômico que relaciona a mudança a possíveis demissões e pressão inflacionária.
“É impressionante como setores que se dizem avançados em tecnologia querem viver no século passado nas relações de trabalho”, escreveu Gleisi em rede social. A ministra igualmente já contestou publicamente análises publicadas por Estadão e Folha de S.Paulo.
Segundo Gleisi, o governo planeja enviar ao Congresso uma proposta que considere “as características de setores diferenciados da economia, especialmente dos pequenos empreendedores”, evitando impacto uniforme sobre todas as companhias. Para ela, “a ganância de alguns por lucros não pode sobrepor-se ao direito da maioria à vida além do trabalho”.
Em outra postagem, a titular da pasta acusou um jornal de “torturar números” e afirmou existir “campanha contra o fim da escala 6×1”. A ministra citou estudo do Ipea que, segundo ela, indica capacidade da economia para absorver a redução para 40 horas semanais, comparando a situação à diminuição de 48 para 44 horas aprovada há quase quatro décadas.
Tramitação no Congresso
A mudança na jornada é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como prioridade para o último ano de mandato. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou intenção de levar o texto ao plenário até maio.
Partidos de oposição, como PL e União Brasil, articulam adiar a votação para depois das eleições municipais de outubro. Em jantar realizado na segunda-feira (23), os presidentes das duas siglas, Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda, reuniram-se com empresários para discutir a estratégia. “Se a proposta chegar ao plenário, a aprovação será avassaladora”, avaliou Rueda, sugerindo segurar o projeto na Comissão de Constituição e Justiça.
A proposta unifica iniciativas das deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG) que buscam alterar a Constituição para instituir cinco dias de trabalho e dois de descanso. Centrais sindicais prometem colocar o tema no centro das mobilizações do Dia do Trabalho, em 1º de maio.
Com informações de Gazeta do Povo