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Fitch condiciona retomada do grau de investimento do Brasil a ajuste fiscal robusto

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A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que o Brasil só voltará a se aproximar do grau de investimento se apresentar, no médio prazo, um plano de consolidação fiscal consistente e confiável. A conclusão consta de relatório enviado nesta semana aos clientes da casa, mantendo o rating do país em BB, com perspectiva estável – dois níveis abaixo do selo considerado seguro para investidores.

De acordo com o documento, uma possível elevação para BB+ dependerá diretamente de um ajuste capaz de reforçar a confiança na estabilização da dívida pública. “Uma alta da nota exigirá um programa de consolidação substancial, crível e suficiente para sustentar a dívida no médio prazo”, diz o texto, citado pelo jornal O Estado de S. Paulo na quarta-feira (18).

Fragilidade fiscal é principal risco, aponta agência

A Fitch classifica a posição fiscal brasileira como “fraca” e lista a evolução das contas públicas e a garantia de continuidade das medidas de ajuste como fatores essenciais para qualquer mudança de nota. A expectativa é de que um avanço mais robusto na consolidação aconteça somente depois das eleições de 2026, independentemente de quem vença o pleito.

No campo político, a agência avalia que um corte de gastos mais ambicioso pode ser mais provável sob um governo de direita, mas reconhece obstáculos para qualquer administração – seja na elevação de impostos, seja na redução de despesas. Mesmo o atual Congresso, considerado mais conservador, tem pressionado por iniciativas que ampliam gastos e flexibilizam regras fiscais.

Juros altos limitam atividade, mas emprego sustenta consumo

No cenário econômico, a manutenção da taxa de juros em patamar elevado continua segurando consumo e atividade interna. Ainda assim, a Fitch projeta que a melhora do déficit primário e operações de crédito devem atenuar a desaceleração da demanda ao longo de 2026. O mercado de trabalho aquecido permanece como sustentação do consumo das famílias, ajudando a contrabalançar os efeitos do aperto fiscal e monetário.

Doze anos sem selo de bom pagador

O Brasil conquistou o grau de investimento em 2008, durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), graças a responsabilidade fiscal, controle inflacionário, crescimento consistente e forte reserva internacional, além da manutenção do tripé macroeconômico. O status foi perdido em 2015, depois do agravamento fiscal e da crise econômica que marcou a gestão de Dilma Rousseff (PT).

Com informações de Gazeta do Povo