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Falta de servidores retardou ação da CVM no caso Banco Master, admite presidente interino

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Brasília – O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, reconheceu nesta terça-feira (24) que o órgão já identificava suspeitas de irregularidades no Banco Master e em empresas associadas desde antes de 2022, mas afirmou que a autarquia demorou a agir por causa do déficit de pessoal.

Durante depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Accioly disse que os servidores trabalham “além da capacidade máxima” e que o acúmulo de processos por funcionário compromete a celeridade das investigações. Ele acrescentou que a CVM precisa de mais investimentos em tecnologia para acelerar a análise dos casos.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) discordou do argumento de falta de recursos. Para o parlamentar, houve “atuação permissiva” da CVM diante do que classificou como “orgia no mercado financeiro”. Braga ressaltou que milhões de brasileiros foram prejudicados pela “evaporação criminosa” de recursos de fundos de previdência e disse não ser possível excluir a hipótese de omissão do regulador.

Liquidação e prisões

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, dia em que o dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP). A investigação criminal envolve também o Banco de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal, que teria adquirido carteiras de crédito sem lastro.

O Master foi o primeiro de uma série de bancos interligados cujo funcionamento foi encerrado pelo Banco Central. A mais recente liquidação ocorreu na quarta-feira (18), com o fechamento do Banco Pleno.

Reflexos no STF

O escândalo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após reportagens apontarem decisões do ministro Dias Toffoli relacionadas ao caso. O processo foi redistribuído para o ministro André Mendonça, enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, discutiu com entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a criação de um código de ética para o tribunal.

Com informações de Gazeta do Povo