Londrina (PR), 01/02/2026 – Impulsionada por novos investimentos em biorrefinarias, a produção brasileira de etanol de milho deve alcançar perto de 10 bilhões de litros na safra 2025/26, de acordo com o Ministério de Minas e Energia. O volume representa salto expressivo frente aos 2,59 bilhões de litros registrados em 2020/21 e consolida o país como segundo maior fabricante mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.
Aposta em valor agregado
O avanço reflete, principalmente, a construção de usinas no Centro-Oeste e em outros polos agrícolas. Entre os projetos em fase final está a unidade da cooperativa Coamo, em Campo Mourão (PR), prevista para entrar em operação no segundo semestre. O empreendimento recebeu aporte de R$ 1,7 bilhão e fará parte de um complexo industrial que já processa soja e trigo, agora com foco também no milho.
De acordo com o presidente da Coamo, Airton Galinari, a estratégia é “verticalizar a produção” para elevar a rentabilidade do cereal, essencial tanto na alimentação humana quanto animal.
Integração com a cadeia de proteína animal
O Paraná lidera a produção nacional de carne de frango e ocupa a vice-posição em carne suína, além de ser referência na criação de tilápia. A inclusão do etanol de milho neste arranjo fortalece a cadeia ao gerar coprodutos como DDG (farelo rico em proteína), óleo e energia. Cada tonelada de milho processada rende, em média, 450 litros de etanol e 300 quilos de DDG, reduzindo custos de ração.
Biocombustível na transição energética
Enquanto cresce a exigência global por menor emissão de carbono, o etanol aparece como alternativa doméstica já consolidada. O governo federal sustenta que biocombustíveis, eletrificação e outras rotas tecnológicas são complementares na descarbonização da frota. Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o uso de etanol garante pegada de carbono comparável à dos veículos elétricos, considerando todo o ciclo de vida.
Oferta de milho e impacto nos preços
Especialistas não veem risco de desabastecimento. Segundo levantamento do professor Lucílio Alves, da USP, a produção interna de milho subiu 37,5% nas últimas seis safras, enquanto o consumo cresceu 35,1%, ampliando o excedente. O Ministério da Agricultura e Pecuária reforça que o grão destinado ao etanol é, majoritariamente, o excedente da segunda safra e faz parte de sistemas de rotação de culturas, sem competir com alimentos básicos.
Programas de crédito como Pronaf e Pronamp estimulam pequenos e médios produtores a integrar a cadeia. Além disso, a formação do preço do etanol segue a paridade com a gasolina, o que limita repasses ao consumidor, pondera Alves.
Com a ampliação das biorrefinarias, geração de energia e produção de coprodutos, o milho ganha papel estratégico adicional no agronegócio brasileiro, reforçando a busca por eficiência econômica e ambiental.
Com informações de Gazeta do Povo