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Estudo rebate 10 mitos sobre agrotóxicos no Brasil com dados oficiais e pesquisas

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Um levantamento apresentado pelo engenheiro agrônomo Edivaldo Velini, professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp e ex-presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), reuniu estatísticas públicas e artigos científicos para contestar 10 ideias difundidas sobre o uso de defensivos agrícolas no país. Os dados foram expostos em evento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), realizado recentemente.

Mito 1 – Agrotóxicos ampliam mortes por intoxicação

Registros do DataSUS indicam 1,6 milhão de notificações de intoxicação entre 2015 e 2024; defensivos agrícolas responderam por 49,5 mil (3%). Apenas 0,5% das ocorrências decorrem do uso habitual dos produtos e, nesses episódios, 80,8% evoluíram para cura sem sequelas.

Mito 2 – Agronegócio ignora o meio ambiente

Desde 2002, o Sistema Campo Limpo recolheu mais de 834 mil toneladas de embalagens vazias. O índice brasileiro de devolução chega a 95%, superando França (79%) e Estados Unidos (33%).

Mito 3 – Produtos vetados na Europa ameaçam a saúde no Brasil

A liberação de um defensivo depende de fatores agronômicos, climáticos e tecnológicos. No Brasil, o processo envolve Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama. Herbicidas aprovados recentemente são aplicados em doses 25 vezes menores que os de décadas passadas, segundo artigo da revista Avances in Weed Science.

Mito 4 – Agrotóxicos reduzem valor nutricional de alimentos

Revisão de 162 estudos, publicada no American Journal of Clinical Nutrition, não encontrou diferença significativa de nutrientes entre produtos orgânicos e convencionais. Pesquisa da Universidade de Stanford chegou à mesma conclusão.

Mito 5 – Brasil é o maior consumidor mundial por hectare

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra consumo médio brasileiro de 12,6 kg de defensivos por hectare, o que coloca o país na 27.ª posição. Suriname lidera com 38,8 kg/ha.

Mito 6 – Cada brasileiro “bebe” 7,6 litros de agrotóxico por ano

O cálculo divide o volume total de vendas pela população, mas desconsidera que parte dos defensivos vai para culturas não alimentícias, exportação e degradação no campo. A própria Abrasco, que popularizou o número, reconhece o caráter apenas “pedagógico” da conta.

Mito 7 – Agrotóxicos são a principal causa de câncer

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico”, o que sugere cautela, não causalidade direta. O Inca aponta fatores como tabagismo, álcool e dieta inadequada como principais agentes da doença.

Mito 8 – Alimentos chegam contaminados ao consumidor

O Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Anvisa, avaliou 25.029 amostras entre 2013 e 2023 e não encontrou extrapolação da Ingestão Diária Aceitável em nenhum caso. Em 2023, 99,3% das amostras não apresentaram risco agudo.

Mito 9 – Produção orgânica é isenta de riscos sanitários

Análise publicada no Brazilian Journal of Microbiology com 200 amostras mostrou incidência semelhante de Salmonella e enterobactérias em hortaliças orgânicas e convencionais, indicando necessidade de boas práticas em ambos os sistemas.

Mito 10 – Agrotóxicos contaminam a água indefinidamente

Monitoramento da Unesp em 42 pontos de bacias hidrográficas, com 1.176 amostras coletadas entre cinco e seis vezes ao ano, detectou o inseticida acephate em nível 16 mil vezes abaixo do limite considerado seguro para ingestão.

Os resultados, segundo Velini, demonstram avanços tecnológicos, marcos regulatórios e programas de logística reversa que reduzem riscos à saúde humana e ao ambiente, ao mesmo tempo em que sustentam a produtividade agrícola.

Com informações de Gazeta do Povo