São Paulo — O agronegócio brasileiro perde até R$ 6,4 bilhões anuais em custos de transporte devido ao mau estado das estradas vicinais, revela pesquisa do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq/USP (Esalq-Log), elaborada a pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo o levantamento, o país dispõe de cerca de 2,2 milhões de quilômetros de vias rurais não pavimentadas, por onde circulam 1,4 bilhão de toneladas de produtos agrícolas, pecuários e florestais a cada ano. O gasto total com frete nessas rotas é estimado em R$ 16,2 bilhões, mas poderia cair quase 40% com a melhoria da infraestrutura.
Economia potencial e impacto ambiental
Com um padrão de qualidade considerado “alto”, a economia anual chegaria a R$ 6,4 bilhões, o equivalente a 1,1% do valor adicionado do setor ao Produto Interno Bruto (PIB). Um nível “médio” de adequação já reduziria as despesas em R$ 2,7 bilhões, ou 16,9%.
A pesquisa também mede os efeitos sobre as emissões de carbono. Atualmente, o tráfego nas estradas vicinais gera 3,07 milhões de toneladas de CO2 por ano. A melhoria das condições poderia cortar 384 mil toneladas (qualidade média) ou 1 milhão de toneladas (qualidade alta).
Cadeias mais afetadas
A cana-de-açúcar lidera as perdas, com potencial de economia de R$ 2,4 bilhões anuais. Em seguida aparecem milho e soja (R$ 2,1 bilhões), produção animal (R$ 865,5 milhões) e setor florestal (R$ 318,5 milhões).
Ferramenta de priorização
Para indicar onde o investimento é mais urgente, os pesquisadores criaram o Índice de Priorização das Estradas Vicinais (Ipev), que avalia fatores sociais, econômicos, ambientais e de infraestrutura. Das 557 microrregiões brasileiras, 177 foram classificadas como de alta prioridade, concentrando cerca de 1,1 milhão de quilômetros de vias.
Custo da recuperação
Recuperar 177 mil quilômetros de estradas terciárias nas áreas de maior necessidade exigiria R$ 4,9 bilhões por ano, com manutenção de R$ 35 mil por quilômetro. Adequar toda a malha terciária (367 mil km) custaria R$ 10 bilhões anuais, enquanto elevar o padrão de 101 mil quilômetros de “ruim” para “superior” demandaria R$ 12,6 bilhões, incluindo manutenção de R$ 131 mil por quilômetro/ano.
Situação por estados
Minas Gerais lidera a lista de investimentos, com necessidade de R$ 2,67 bilhões anuais para adequar 128 mil quilômetros prioritários. Paraná (R$ 2,64 bilhões para 136 mil km) e Rio Grande do Sul (R$ 2,59 bilhões para 134 mil km) aparecem na sequência, seguidos por Pará, Mato Grosso, Bahia e Goiás.
Visitas de campo
Em março, equipes da CNA e da Esalq-Log percorreram mais de 1,2 mil quilômetros em oito microrregiões de Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Paraná. Buracos, erosões, atoleiros e pontes deterioradas foram problemas recorrentes, agravados por limitações orçamentárias e falta de mão de obra técnica nas prefeituras.
Com informações de Gazeta do Povo