São Paulo, 30 de janeiro de 2026 – A crise envolvendo o Banco Master, apontada por denúncias de articulações entre mercado financeiro, políticos e Judiciário, acendeu um sinal de alerta sobre a atratividade do Brasil para o investidor internacional.
Reportagem da revista britânica The Economist projetou o caso para fora do país e colocou em dúvida a solidez institucional brasileira. A publicação citou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o senador Ciro Nogueira e o ministro do Tribunal de Contas da União Jonathan de Jesus como figuras supostamente envolvidas em interferências relacionadas ao banco.
Até agora, a B3 vem registrando desempenho recorde, impulsionada por um aporte estrangeiro que já supera R$ 17 bilhões no ano. Especialistas, contudo, alertam que esse fluxo é reversível. Caso a percepção de risco jurídico aumente, investidores podem exigir prêmios mais altos para permanecer no país ou direcionar recursos a outros mercados emergentes considerados mais estáveis, como México e Índia.
‘Imposto invisível’ encarece o capital
Economistas classificam esse movimento de desconfiança como um “imposto invisível”: um custo adicional embutido na taxa de retorno exigida pelos investidores diante da possibilidade de mudanças nas regras do jogo motivadas por pressões políticas. Esse encarecimento afeta empresas, governo e, em última instância, o crescimento econômico.
Papel do Banco Central
A liquidação do Banco Master conduzida pelo Banco Central foi vista como um ponto de estabilidade. O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, ganhou menção favorável na The Economist por resistir a interferências políticas e defender a integridade do sistema financeiro.
Analistas não preveem saída súbita de capitais, mas falam em “reprecificação” do risco-Brasil. Se a credibilidade institucional não for restaurada, o custo de financiamento tende a subir, comprometendo a dinâmica de expansão observada na bolsa.
Até que o desfecho do caso fique claro, o episódio deve servir de termômetro para medir a tolerância do investidor estrangeiro à insegurança jurídica no país.
Com informações de Gazeta do Povo