O colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro de 2025, desencadeou uma sequência de episódios que expõem a amplitude da fraude e a tensão entre instituições de Estado. Entre 30 de dezembro e 12 de janeiro, 21 fatos se somaram ao caso, envolvendo STF, TCU, políticos, influenciadores e órgãos internacionais.
Principais acontecimentos
1 – Vaivém da acareação (30/12) – A delegada da PF Janaína Palazzo colheu depoimentos de Daniel Vorcaro (Master), Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton de Aquino (diretor do BC). O ministro Dias Toffoli, relator no STF, recuou da acareação conjunta após contestação do BC e da PGR. Vorcaro e Costa divergiram sobre prejuízo de R$ 2 bilhões ao BRB, e o banqueiro negou fazer delação premiada.
2 – Relatório do BC ao TCU (31/12) – Documento apontou operações suspeitas entre o Master e a Reag Trust DTVM, investigada por lavar dinheiro para o PCC. A manobra, estimada em R$ 11,5 bilhões, mascarava déficits ao trocar ativos problemáticos por papéis aparentemente saudáveis.
3 – Inspeção determinada pelo TCU (02/01) – O presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, mandou técnicos examinarem documentos do BC sobre o Master. O relator no TCU é o ministro Jonathan de Jesus.
4 – Possível bloqueio de ativos (05/01) – Jonathan de Jesus afirmou avaliar medida cautelar para impedir a venda de ativos durante a liquidação, temendo prejuízos irreversíveis.
5 – Setor financeiro defende o BC (05/01) – Onze entidades divulgaram nota de “plena confiança” na autoridade monetária.
6 – Influenciadores relatam oferta para atacar o BC (06/01) – Criadores de conteúdo disseram ter sido procurados para associar a liquidação a falhas do BC. Um dos alvos foi o vereador e influenciador Rony Gabriel (PL-RS).
7 – BC recorre da inspeção (06/01) – A autarquia alegou que apenas decisão colegiada do TCU poderia autorizar a medida. No mesmo dia, a PF marcou nova rodada de depoimentos para o fim de janeiro.
8 – Senador aciona a PGR (07/01) – Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu investigação de possível abuso de autoridade pelo ministro Jonathan de Jesus.
9 – FMI e Banco Mundial atentos (07/01) – Relatório citado por O Globo apontou fragilidades na autonomia do BC frente a pressões políticas.
10 – TCU recua (07/01) – Vital do Rêgo reconheceu que apenas o STF poderia reverter a liquidação, sinalizando mudança de posição.
11 – Inspeção suspensa (08/01) – Jonathan de Jesus cancelou a diligência e submeteu o tema ao plenário, após articulação de ministros do TCU, STF e governo.
12 – Fundos de previdência sofrem perdas (08/01) – O Ministério da Previdência definiu que estados e municípios devem cobrir déficits de 18 institutos que aplicaram em letras financeiras do Master, incluindo Rioprevidência (R$ 970 milhões).
13 – Vital do Rêgo defende o TCU (09/01) – O presidente da Corte reforçou que o tribunal não pretende reverter a liquidação, mas acompanhar agências reguladoras.
14 – Auditores isentam o BC (10/01) – Relatório interno descartou negligência da autarquia; o Master era monitorado desde 2024 e indícios de crime foram enviados ao MPF antes da liquidação.
15 – Defesa de Vorcaro nega pedido ao STF (10/01) – Advogados afirmaram não ter requerido o envio das operações Carbono Oculto, Quasar ou Tank ao Supremo.
16 – “Tropa de choque” jurídica (10/01) – Vorcaro contratou cinco escritórios e um ex-procurador do BC para atuar no STF, BC, TCU e exterior. Nos EUA, o juiz Scott M. Grossman reconheceu a liquidação brasileira.
17 – Parentes de Toffoli ligados a fundo investigado (11/01) – Empresas de irmão e primo do ministro tiveram sociedade com o fundo Arleen, investidor do RWM Plus, um dos envolvidos nas fraudes. Toffoli concentra o caso no STF sob sigilo.
18 – BC aceita inspeção do TCU (12/01) – Após encontro entre Vital do Rêgo e Gabriel Galípolo, ficou acertado que a diligência será limitada e conduzida apenas pela área técnica Audbancos.
19 – Recurso retirado (12/01) – O BC concordou em suspender o embargo contra a inspeção, que não terá acesso a dados protegidos por sigilo bancário.
20 – Empréstimos a empresas ligadas à Reag (13/01) – De 36 companhias que receberam R$ 11,5 bilhões do Master, sete tinham vínculo com a gestora investigada. Algumas possuíam capital social de apenas R$ 1 mil.
21 – Déficit de R$ 20 bilhões (13/01) – O BC calculou necessidade de ajuste de patrimônio de referência do Master em maio de 2025. A cifra supera a média de bancos médios brasileiros.
Origem do escândalo
O caso começou com a Operação Compliance Zero, deflagrada em 3 de setembro de 2025, que apurou fraude de R$ 12 bilhões na venda de carteiras de crédito ao BRB. No mesmo 18 de novembro, o BC liquidou o Master por grave crise de liquidez, e a PF prendeu Daniel Vorcaro, libertado 11 dias depois. Desde então, o processo corre no STF, sob relatoria de Dias Toffoli e em sigilo total.
As investigações prosseguem enquanto o BC, o TCU e o Supremo tentam definir limites de atuação reciprocamente, em meio a um ano eleitoral e à preocupação com a estabilidade do sistema financeiro.
Com informações de Gazeta do Povo