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Endividamento das famílias brasileiras beira 80% em 2026, mesmo com desemprego mínimo

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Brasília – Quase oito em cada dez lares brasileiros iniciaram 2026 com dívidas, revelam dados de janeiro que apontam 79,5% das famílias nessa condição. O índice, perto do recorde histórico, contrasta com a taxa de desemprego em seu menor patamar.

Custo de vida e salários pressionados

Economistas ouvidos indicam que o emprego não tem bastado para equilibrar o orçamento doméstico. A combinação de perda de poder de compra e despesas cotidianas mais altas força trabalhadores a recorrerem ao crédito para cobrir necessidades básicas.

Cartão de crédito domina perfil das dívidas

Mais de 85% dos débitos são concentrados no cartão de crédito. Em quase 20% das residências, mais da metade da renda mensal já está comprometida com pagamentos dessas parcelas, segundo levantamento citado na reportagem.

Apostas online entram na conta

O avanço das plataformas de apostas digitais criou uma nova frente de pressão financeira. Entre os endividados, 57% afirmam que o desequilíbrio começou após ingressarem nas chamadas “bets”. Além disso, 44% relatam que continuam apostando na tentativa de quitar obrigações anteriores, o que frequentemente aprofunda o problema.

Juros elevados e política fiscal

Os especialistas atribuem as taxas de juros elevadas ao aumento de gastos públicos e ao consequente crescimento da dívida federal. Para compensar o maior risco fiscal, o mercado exige juros mais altos, e o Banco Central mantém a política monetária apertada para conter pressões inflacionárias.

Consignado privado: solução parcial

O governo Lula expandiu o crédito consignado no setor privado como alternativa a custos menores. A medida, porém, é vista apenas como paliativa. Trocar dívidas caras por outras mais baratas alivia o caixa no curto prazo, mas não resolve a falta de renda real nem a baixa produtividade da economia, prolongando o endividamento.

A persistência do quadro indica que, sem mudanças estruturais na política fiscal e na geração de renda, as famílias continuarão dependendo de crédito caro para fechar as contas.

Com informações de Gazeta do Povo