A tentativa dos Correios de levantar um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a bancos públicos e privados, com garantia do Tesouro Nacional, gerou reação imediata de economistas e parlamentares da oposição, que enxergam risco às contas públicas e prometem barrar a operação.
Plano será analisado nesta sexta-feira
O conselho de administração da estatal discute nesta sexta-feira (24) o pedido de crédito, parte de um plano de reestruturação que inclui programa de demissão voluntária, renegociação de contratos e venda de imóveis. O valor pretendido supera a receita de 2024, que ficou em R$ 18,9 bilhões, e cobre prejuízos que somam R$ 4,3 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025.
Oposição articula CPI e aciona TCU
O líder da oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), anunciou que atuará para impedir o empréstimo e para “dar transparência aos números”. Deputados coletam assinaturas para criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e uma subcomissão específica sobre a crise da empresa.
No Senado, Rogério Marinho (PL-RN) classificou o socorro financeiro como sinal de “má gestão” das estatais. Já o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) protocolou representação no Tribunal de Contas da União pedindo auditoria da operação e questionando eventual violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Análises e críticas
Para Leandro Gabiati, professor do Ibmec-DF, a crise oferece à oposição oportunidade para desgastar o governo, embora ele não considere o tema decisivo para 2026. O analista financeiro VanDyck Silveira vê o empréstimo como “anomalia” que enterra a agenda de privatizações e incentiva estatais deficitárias a depender do Tesouro.
Nova gestão e rombo bilionário
Em setembro, o presidente Emmanoel Schmidt Rondon assumiu o comando dos Correios, substituindo Fabiano Silva. O balanço divulgado em junho mostrou passivo de R$ 4,2 bilhões em benefícios de curto prazo e R$ 9,5 bilhões em obrigações de longo prazo. Silva atribuiu parte das perdas ao imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”.
Estatal em crise recorrente
Fundada em 1663, a Empresa de Correios e Telégrafos tem 84 mil funcionários e detém o monopólio do serviço postal. A companhia já esteve no centro de escândalos como o mensalão, em 2005, e o rombo bilionário do fundo de pensão Postalis durante o governo Dilma Rousseff. O governo anterior havia incluído a estatal no programa de privatizações.
Economistas e integrantes da equipe econômica afirmam que, além de aporte emergencial, os Correios precisam de mudança estrutural que envolva modernização tecnológica, parcerias privadas e metas de eficiência para garantir sustentabilidade.
Com informações de Gazeta do Povo