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The Economist alerta países ricos para risco de “brasileirização” das contas públicas

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A edição desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, da revista britânica The Economist cunhou o termo “brasileirização” para advertir Estados Unidos, países europeus e Japão sobre o perigo de um descontrole fiscal semelhante ao enfrentado pelo Brasil. Segundo a publicação, dívidas crescentes, sistemas previdenciários insustentáveis e pressões populistas sobre bancos centrais já ameaçam as economias avançadas.

De acordo com a reportagem, o conceito vai além de um choque isolado de gestão. Ele reflete um conjunto de sintomas constatados no Brasil: erosão de regras fiscais, promessas orçamentárias inflexíveis e trajetórias de endividamento que restringem a capacidade dos bancos centrais de combater a inflação.

Juros altos e investimento baixo

No Brasil, o ciclo descrito pela revista consolidou-se em juros reais próximos de 10% ao ano — um dos maiores patamares globais. O custo de capital elevado limita o investimento privado a cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB), metade da taxa observada na Índia.

A publicação destaca que programas de assistência social, como o Bolsa Família (3,7% do PIB), não são os principais responsáveis pelo aperto orçamentário. O entrave está em um orçamento engessado por interesses protegidos em uma Constituição detalhista e de difícil reforma.

Peso da Previdência

O Brasil destina 10% do PIB a pensões e aposentadorias — proporção semelhante à do Japão, apesar de possuir população significativamente mais jovem. Sem alterações estruturais, essa despesa pode alcançar 16% do PIB até 2060. A distribuição dos benefícios também é apontada como desigual: os déficits previdenciários de 13 milhões de servidores públicos se equiparam aos de 40 milhões de trabalhadores do setor privado.

O The Economist ressalta ainda que Judiciário e Forças Armadas concentram as maiores vantagens. Só o sistema judiciário consome 1,3% do PIB, tornando-o o segundo mais caro do mundo em termos relativos.

Dívida em direção a 99% do PIB

Com gastos obrigatórios elevados e receitas comprometidas por 128 regimes de isenção tributária — alguns mantidos até 2073 —, o Brasil registra déficit nominal de 8,1% do PIB. Projeções citadas pela revista indicam que a dívida pública pode chegar a 99% do PIB em 2030, exigindo superávit primário próximo de 5% do PIB para estabilização, meta considerada improvável no ambiente político atual.

O custo do serviço da dívida já absorve em torno de 8% do PIB anualmente. A falta de credibilidade fiscal, avalia a reportagem, corta de 0,5 a 1 ponto percentual do crescimento econômico a cada ano.

Alerta global

Para Washington, Bruxelas e Tóquio, a mensagem da revista é direta: sem reformas que enfrentem o peso dos gastos com a terceira idade, as economias desenvolvidas poderão ser forçadas a escolher entre austeridade profunda ou um círculo vicioso de juros altos e endividamento — exatamente o dilema hoje colocado ao Brasil.

Com informações de Gazeta do Povo