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Diesel mais caro e escasso ameaça colheita de arroz e soja no país

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Produtores rurais de várias regiões do Brasil enfrentam, desde a semana passada, alta expressiva no preço do diesel e dificuldades para abastecer máquinas agrícolas justamente no pico da colheita de arroz, concentrada no Sul, e da soja, em todo o país.

Fornecimento contestado

Apesar dos relatos de falta de combustível, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Petrobras – principal refinadora do país – afirmam que não há interrupção no suprimento. O diretor-geral da ANP, Artur Watt, disse na terça-feira (10) que “não visualizamos falta física de produtos no momento”, citando estoques regulares nas refinarias.

Representantes do setor de distribuição, porém, apontam redução no repasse. Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial e da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), afirma que a Petrobras cortou em 30% o volume previsto para entrega em abril às distribuidoras de Araucária (PR), segundo maior polo de combustíveis do país. Em outras regiões, a média da redução chegaria a 23%.

Impacto da tensão no Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço internacional do petróleo. Após a primeira ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana – rota de cerca de 20% do petróleo e gás natural globais –, o barril do Brent subiu mais de 30%, saindo de US$ 72,48 no fim de fevereiro para aproximadamente US$ 100.

Problemas no campo

No Rio Grande do Sul, produtores relatam que, desde terça-feira (3), Transportadores Revendedores-Retalhistas (TRRs) não conseguem entregar o diesel. Segundo a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o carregamento parou totalmente em 5 de março. A entidade acionou o governo estadual no sábado (7), que, por sua vez, notificou o Ministério de Minas e Energia e a ANP.

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) informa que produtores enfrentam aumentos de preço e cancelamentos de vendas de combustível. Situação semelhante ocorre em outros estados:

  • Paraná – A Faep já recebeu relatos de falta de diesel em entrepostos do interior.
  • Goiás – TRRs e postos limitam abastecimento; o litro, que custava R$ 5,94 (média de 1º a 7 de março, segundo ANP), chegou a R$ 8,70, segundo produtores.
  • Rondônia – Produtores estudam pedir redução temporária do ICMS para conter a alta.
  • Mato Grosso – A Aprosoja-MT vê o aumento do combustível agravar custos já elevados e margens comprimidas.

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP indica que 73% da energia usada na agropecuária brasileira vem de combustíveis fósseis, em especial o diesel.

Pressão por biodiesel

Diante do risco de desabastecimento, 43 entidades do agronegócio e da agroindústria divulgaram carta, na quarta-feira (11), pedindo ao governo federal que aumente imediatamente a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17%. Para o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, elevar o teor pode reduzir a dependência de importações – atualmente em torno de 30% do consumo nacional.

Medidas de Brasília

Nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou isenção de PIS/Cofins e uma subvenção para importadores e produtores de diesel, buscando conter o impacto dos preços. Hammerschmidt avalia que, embora ajudem a segurar o valor final ao consumidor, as ações “não garantem produto para o mercado”.

Com a colheita em andamento e a segunda safra de milho em fase de cultivo, produtores seguem apreensivos quanto à regularidade do abastecimento de diesel e seus efeitos sobre custos e logística.

Com informações de Gazeta do Povo