Brasília – A terça-feira de 17 de novembro de 2025 concentrou alguns dos principais eventos que levariam à primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do então Banco Master. Em menos de 16 horas, ele anunciou a venda da instituição, participou de reunião com o Banco Central (BC), trocou supostas mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e terminou detido ao tentar embarcar no Aeroporto de Guarulhos (SP) rumo aos Emirados Árabes Unidos.
Cronologia do dia
7h19 – Em mensagem atribuída a Vorcaro, o banqueiro informa a Alexandre de Moraes que tenta antecipar a assinatura da venda do Master para o grupo Fictor e cita negociações com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Ele também relata possível vazamento de dados sobre o processo criminal que o envolve.
Antes das 8h – Representantes do banqueiro cobram a conclusão da venda de uma cobertura triplex no edifício Vizcaya Itaim, em São Paulo, avaliada em R$ 60 milhões. O negócio não é finalizado.
8h16 – Moraes teria respondido a Vorcaro com mensagem de visualização única, cujo conteúdo não foi recuperado.
11h08 – O site O Bastidor publica reportagem sobre uma investigação sigilosa contra Vorcaro. Segundo a Polícia Federal (PF), o texto teria sido pago pelo banqueiro por R$ 2 milhões para criar fatos públicos que servissem de argumento contra eventual prisão.
Início da tarde – Vorcaro participa de videoconferência com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, e outros servidores. Ele comunica a venda parcial do banco e a viagem marcada para Dubai. Mais tarde, o BC afastaria dois participantes da reunião, suspeitos de repassar informações ao banqueiro.
15h29 – O juiz federal Ricardo Soares Leite decreta a prisão de Vorcaro. Dezoito minutos depois, às 15h47, a defesa protocola petição para tentar impedir medidas cautelares.
17h21–17h24 – Vorcaro redige mensagem a Moraes dizendo que anunciará parte da transação do banco; às 17h24, o grupo Fictor confirma a compra ao mercado.
17h26 – O banqueiro faz novo contato: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. O ministro responde às 17h31, também com mensagem de visualização única.
19h58 – Vorcaro questiona novamente: “Alguma novidade?”. Duas respostas chegam às 20h21 e 20h23, igualmente sem registro no aparelho.
20h48 – Última mensagem de Vorcaro ao ministro, já no aeroporto, informando que vai “assinar com os investidores de fora” e que “amanhã começam as batidas do esteves”. Segundo a PF, Moraes responde com um emoji de aprovação.
22h – Agentes da PF prendem Vorcaro antes do embarque em jato particular. Menos de 12 horas depois, em 18 de novembro, o Banco Central decreta a liquidação do Master.
Pós-prisão
Vorcaro permaneceu 11 dias no Presídio da Papuda, em Brasília, até ser solto pela desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mediante uso de tornozeleira eletrônica e entrega do passaporte. As cautelares vigoraram até nova ordem de prisão, determinada em 3 de março de 2026 pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF.
Após a divulgação das trocas de mensagens, Alexandre de Moraes negou ter mantido conversas com o banqueiro. A PF submeteu o material a perícia; o ministro sustenta que os registros não foram direcionados a ele.
Com informações de Gazeta do Povo