Home / Economia / Despesa com instrumentador cirúrgico só entra na dedução do IRPF quando embutida na conta do hospital

Despesa com instrumentador cirúrgico só entra na dedução do IRPF quando embutida na conta do hospital

ocrente 1774529440
Spread the love

A Receita Federal só autoriza o abatimento de valores pagos a instrumentadores cirúrgicos na declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) quando o custo estiver incluído na fatura hospitalar. Pagamentos feitos diretamente a esse profissional não são aceitos como despesa dedutível, porque a categoria não integra a lista oficial de prestadores de serviços de saúde prevista pela legislação tributária.

Prazo da declaração de 2026

A entrega da declaração do IRPF 2026, referente ao ano-base 2025, começa em 23 de março e termina em 29 de maio, conforme calendário da Receita Federal.

Gastos médicos sem limite, mas sob vigilância

Diferentemente das despesas com educação, limitadas a um teto, os gastos médicos podem ser deduzidos integralmente, desde que comprovados. Por não haver limite, essas despesas recebem atenção especial da fiscalização, alerta o advogado tributarista Francisco Gomes Junior, sócio da OGF Advogados e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP).

Quando o custo do instrumentador é aceito

Segundo a Receita, a dedução é permitida apenas se o valor pago ao instrumentador fizer parte do total cobrado pelo hospital ou pela equipe médica, compondo a despesa necessária ao procedimento cirúrgico. Nesse formato, o gasto integra a nota fiscal global da internação e pode ser informado na ficha “Pagamentos Efetuados”.

Documentação exigida

O contribuinte deve guardar os comprovantes por, no mínimo, cinco anos. A documentação básica inclui:

  • recibo ou nota fiscal com nome do profissional ou da clínica;
  • CPF ou CNPJ do prestador;
  • descrição do serviço;
  • comprovante de pagamento.

Relatórios médicos, resultados de exames e outros papéis de suporte também são recomendados.

Outras despesas médicas dedutíveis

Além de honorários médicos tradicionais, podem ser abatidos valores relacionados a próteses ortopédicas e dentárias, marcapassos, aparelhos ortodônticos, exames genéticos ou laboratoriais, tratamentos de fertilização e despesas hospitalares completas.

Erros que levam à malha fina

Entre os problemas mais frequentes identificados pela Receita estão:

  • informar valores superiores aos efetivamente pagos;
  • apresentar recibos sem CPF ou CNPJ;
  • deduzir despesas não permitidas, como academia, vitaminas ou procedimentos estéticos;
  • declarar o valor integral após reembolso do plano de saúde.

O órgão cruza dados com clínicas, hospitais e operadoras de saúde, o que facilita a detecção de inconsistências.

Organização evita transtornos

Para reduzir o risco de cair na malha fina, Gomes Junior sugere que o contribuinte mantenha uma pasta anual de despesas médicas, digitalize recibos, guarde comprovantes de pagamento e registre todos os gastos em planilha.

Com informações de Gazeta do Povo