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Desemprego em mínima histórica esconde saída de trabalhadores e alta da subutilização

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Brasília – A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8% em fevereiro de 2026, o menor nível da série histórica. Apesar do dado positivo, especialistas alertam que o índice mascara a redução da força de trabalho e o avanço da subutilização da mão de obra.

Participação encolhe

A taxa de participação — proporção da população que trabalha ou busca vaga — recuou para 61,9%. O recuo reflete a saída de milhões de brasileiros do mercado, seja por desalento, problemas de saúde ou outras fontes de renda.

Efeito dos programas sociais

Estudos citados apontam que a ampliação de benefícios como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) estimula a inatividade. Para cada duas famílias contempladas, uma pessoa deixa a força de trabalho, contribuindo para a baixa oficial do desemprego, mas reduzindo a oferta de profissionais.

Subutilização em alta

O índice de subutilização, que considera desempregados, quem trabalha menos horas do que gostaria e quem poderia trabalhar, mas não procura vaga, subiu para 14,1%. Ao todo, mais de 16 milhões de pessoas se enquadram nessa condição.

Falta de qualificação limita expansão

O país registra escassez de mão de obra qualificada em oito de cada dez setores. Sem trabalhadores preparados, empresas não conseguem elevar produtividade, travando o crescimento econômico mesmo em cenário de baixo desemprego.

Pressão salarial e inflação de serviços

Com o mercado de trabalho apertado, companhias aumentam salários para atrair ou reter funcionários. Como o reajuste não é acompanhado por ganho de eficiência, o custo maior é repassado ao consumidor, sustentando a inflação de serviços e dificultando cortes na taxa Selic ao longo de 2026.

Os números revelam um mercado com poucos desocupados oficialmente, mas marcado por menor participação, subutilização elevada e gargalos de qualificação, fatores que limitam o avanço sustentável da economia.

Com informações de Gazeta do Povo