Brasília – A acareação marcada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para esta terça-feira (30) se tornou peça-chave da estratégia dos advogados do Banco Master para tentar desacreditar o Banco Central (BC), derrubar a investigação por fraude financeira e reverter a liquidação da instituição, segundo revelou o jornal O Globo.
Quem participa
Toffoli convocou para o encontro o ex-presidente do Master, Daniel Vorcaro; o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.
O que está em jogo
O inquérito apura um suposto esquema de emissão e venda de títulos de crédito do Banco Master sem lastro, que teria gerado prejuízo de até R$ 12,2 bilhões ao BRB, instituição pública que negociava a compra de 58% do Master. A investigação ainda está na fase inicial e não há depoimentos conflitantes a serem confrontados.
Objetivo da defesa
De acordo com a reportagem, a defesa pretende usar a acareação para criar fatos que comprometam a credibilidade do BC, buscando a anulação de todo o processo e, eventualmente, a responsabilização do órgão regulador pela crise.
Decisão colegiada
A liquidação do Banco Master foi aprovada de forma colegiada pelo BC, com participação do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. A medida ganhou força após indícios de problemas de caixa: o banco teria deixado de recolher depósitos compulsórios e passou a solicitar linhas de crédito.
Bastidores e pressões
A ordem de Toffoli veio durante o recesso do Judiciário e em meio a intensa procura do ministro Alexandre de Moraes por Galípolo — segundo O Globo, foram seis ligações em um único dia. Um dia antes de assumir a relatoria, Toffoli viajou a Lima em jatinho de um empresário acompanhado do advogado de um dos investigados.
Reunião cancelada
Entre os fatos que serão debatidos está uma reunião marcada entre Vorcaro e Ailton de Aquino Santos no Aeroporto de Guarulhos, pouco antes da prisão do banqueiro. A defesa alega que o encontro prova a ausência de plano de fuga e a comunicação prévia ao BC.
Alerta do Banco Central
Advogados do BC solicitaram o cancelamento da acareação, apontando risco de “armadilhas processuais”, mas Toffoli manteve o procedimento. Para o ministro, “é salutar a participação da autoridade reguladora” nos depoimentos, conforme despacho citado pela Agência Brasil.
O procedimento está previsto para acontecer em Brasília às 14h de terça-feira. Qualquer decisão sobre a continuidade da liquidação ou eventual indenização ao banco dependerá de novos desdobramentos após a oitiva.
Com informações de Gazeta do Povo