Um decreto editado no início de 2022 pelo então governador da Bahia, Rui Costa (PT), proibiu a portabilidade das dívidas contraídas por servidores estaduais no cartão de crédito consignado Credcesta, operado pelo Banco Master. A medida reteve milhares de funcionários públicos em contratos que cobram juros próximos de 6% ao mês, segundo reportagem publicada em 14 de fevereiro de 2026.
O Credcesta surgiu em 2007 como um vale-mercado e foi transformado, durante as gestões petistas no estado, em cartão de crédito com desconto direto em folha. O produto passou a ser administrado pelo Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, garantindo ao banco a quitação automática das faturas por meio da remuneração mensal dos trabalhadores.
Portabilidade bloqueada
Antes do decreto, servidores podiam transferir o saldo devedor para outras instituições que ofereciam taxas menores. Com a nova regra, essa alternativa foi vedada, mantendo os contratos no Banco Master mesmo diante de condições mais vantajosas no mercado.
Expansão nacional
O modelo baiano se espalhou para 24 estados e dezenas de municípios, replicando a lógica de usar parte do salário como garantia e aplicando juros elevados no crédito rotativo.
Paralelo com descontos no INSS
A reportagem compara o Credcesta ao esquema de descontos associativos que desviou pelo menos R$ 6 bilhões de aposentados do INSS. Em ambos os casos, sindicatos ou associações atuam como intermediários e os descontos são feitos diretamente na renda mensal, sustentados por atos administrativos do poder público.
Com informações de Gazeta do Povo