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Crise no BRB reacende debate sobre federalização e risco de conta bilionária para o contribuinte

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Brasília — Sob pressão para cobrir um déficit que pode chegar a R$ 15 bilhões, o Banco de Brasília (BRB) avalia opções para reforçar o capital antes de 31 de março, prazo definido pelo Banco Central (BC) para comprovar solvência. Entre as saídas discutidas nos últimos dias está a federalização da instituição, hipótese que transferiria o controle para a União ou para a Caixa Econômica Federal e espalharia o prejuízo entre contribuintes de todo o país.

Rombo ligado ao caso Banco Master

A crise teve origem na compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, hoje investigadas por fraude. Estimativas internas indicam que o passivo pode ultrapassar R$ 15 bilhões, valor superior à liquidez disponível da própria Caixa, calculada em torno de R$ 10 bilhões.

Federalização tida como medida extrema

Analistas veem a federalização como alternativa “extrema” para evitar intervenção ou liquidação. Luis Miguel Mas Santacreu, da Austin Ratings, considera mais sensatas frentes já adotadas pelo BRB, como venda de ativos. Ele destaca, porém, que se a União assumir o banco, será preciso decidir se o BRB manterá administração própria ou ficará integralmente sob gestão da Caixa.

Posição dos presidentes

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, descartou a federalização, segundo apuração da CNN. Na Caixa, a possibilidade é tratada como último recurso caso outras medidas fracassem. Em reunião na terça-feira (24), os comandantes das duas instituições discutiram um pacote de socorro elaborado pela Caixa, mas negaram que o repasse de controle estivesse na pauta.

Plano da Caixa: compra de ativos saudáveis

A proposta apresentada prevê a aquisição, pela Caixa, de carteiras de crédito de melhor qualidade mantidas pelo BRB — os títulos ligados ao Master ficariam fora do negócio. A injeção de recursos ajudaria a recompor a liquidez sem necessidade de federalização, operação que demandaria aval da equipe econômica e poderia gerar impacto fiscal direto.

Empréstimo via FGC emperra

Outra via em estudo é um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao Governo do Distrito Federal (GDF), que repassaria os recursos ao BRB. O FGC, entretanto, condicionou o financiamento à participação de bancos privados, ainda não confirmada.

Projeto do GDF tenta reforçar patrimônio

Para viabilizar capitalização, o Executivo local enviou à Câmara Legislativa do DF projeto de lei que autoriza o uso de imóveis públicos e participações em companhias de saneamento como garantia de novos aportes. O líder do governo distrital, deputado Hermeto (MDB), classificou a situação do BRB como “dramática” e afirmou que a federalização será considerada caso o texto não avance.

Possíveis ganhos para a Caixa

Apesar dos riscos, fontes do mercado veem potencial interesse estratégico: o BRB detém folhas de pagamento do Distrito Federal e de prefeituras locais, aproximadamente R$ 30 bilhões em depósitos judiciais e plataformas tecnológicas consideradas avançadas, ativos que poderiam reforçar a posição da Caixa.

A direção do BRB não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A Caixa informou que não comenta o assunto.

Com informações de Gazeta do Povo