Curitiba – Um programa de crédito cooperativo do Sicredi selecionou 130 microempreendedores em 2025 e vem se tornando ponto de virada para quem abriu empresa por necessidade. Entre os beneficiados estão quatro mulheres de diferentes regiões que transformaram trajetórias marcadas por guerra, doença, luto e inclusão social em oportunidade de renda e autonomia.
Números que explicam o desafio
Empreender no Brasil permanece arriscado: o IBGE aponta que 20% das empresas fecham antes de completar um ano e o Sebrae calcula que 60% não sobrevivem cinco anos. Mesmo assim, mais de 5 milhões de CNPJs foram abertos em 2025, sendo 42% liderados por mulheres.
Da pedreira ao balcão de lanches
Lúcia do Amaral Silveira, 36 anos, de Planalto (PR), trocou o trabalho em pedreira e posto de combustíveis pela cozinha. A panificadora e lanchonete Lanches LV ganhou reforço do programa Capital Incentivo, que financiou uma assadeira industrial e equipamentos para caldo de cana, ampliando a produção e garantindo a continuidade do negócio familiar.
Joias que guardam memórias de guerra
Refugiada síria, Myria Tokmaji deixou Aleppo há 12 anos e hoje vive em Curitiba. Designer gráfica e filha de joalheiro, ela fundou a Ebla Joias, que mescla bordados e símbolos árabes em peças de madrepérola. O crédito cooperativo ajudou na expansão da marca e na divulgação de sua história de superação.
Cuidado inclusivo em serviços de beleza
Em Franca (SP), Denize Rodrigues Magalhães, 50 anos, criou o Acolher Cabeleireira Inclusiva depois de enfrentar barreiras para cortar o cabelo do filho com autismo severo e surdez profunda. O apoio financeiro foi usado para ampliar a estrutura e atender, em domicílio ou em espaço adaptado, pessoas com deficiência, acamados e clientes com mobilidade reduzida.
Laços após o câncer e o luto
Helena Lima Soares, 29 anos, do norte do Paraná, encontrou na confecção de laços e acessórios infantis uma fonte de renda enquanto tratava um câncer de mama e assumia a guarda dos três sobrinhos órfãos. O recurso do programa financiou equipamentos e capacitação em gestão, profissionalizando o empreendimento que começou na mesa de casa.
O representante do Sicredi no Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito, Manfred Alfonso Dasenbrock, afirma que iniciativas como o Capital Incentivo mostram como pequenas quantias, somadas a orientação, podem prolongar a vida de negócios que nasceram da necessidade e fortalecer o papel social do cooperativismo.
Com informações de Gazeta do Povo