Brasília – A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou na sexta-feira, 20 de fevereiro, as sobretaxas impostas pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos importados. A decisão reduziu de imediato os custos de entrada de mercadorias brasileiras no mercado norte-americano, mas o alívio durou pouco: poucas horas depois, Trump restabeleceu tarifas emergenciais de 10%, elevadas a 15% no dia seguinte, com base em uma lei de 1974.
Setores mais favorecidos
No curto prazo, a suspensão das antigas sobretaxas beneficia principalmente itens de maior valor agregado. Móveis, cerâmicas e componentes industriais, que antes arcavam com cobranças de até 40%, voltam a competir em pé de igualdade. Produtos do agronegócio, como café e carne, também ganham competitividade. No mercado financeiro, ações de companhias fortemente expostas ao mercado dos EUA, como Embraer e Taurus Armas, reagiram positivamente.
Motivos do governo norte-americano
A Casa Branca justifica as tarifas como forma de proteger a balança de pagamentos e estimular a produção doméstica. Em casos envolvendo o Brasil, Washington já alegou riscos à segurança nacional e razões políticas para sobretaxar aço e alumínio, mantendo a postura protecionista mesmo após a decisão judicial.
Possível ressarcimento
Analistas estimam que o governo dos EUA possa ter de devolver até US$ 175 bilhões a importadores de diferentes países. Contudo, apenas empresas brasileiras com presença direta ou subsidiárias em território norte-americano podem recorrer à Justiça norte-americana para pleitear reembolso. Perdas indiretas, como redução de vendas, costumam não ser contempladas.
Próximos passos diplomáticos
Com as tarifas emergenciais em vigor, a atenção se volta à diplomacia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro agendado com Donald Trump em março. A pauta inclui a retirada de barreiras remanescentes, sobretudo sobre aço e alumínio, setores ainda sujeitos a sobretaxas que não foram afetadas pela decisão da Suprema Corte.
As negociações serão decisivas para que a indústria brasileira mantenha acesso competitivo ao segundo maior destino das exportações do país.
Com informações de Gazeta do Povo