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Correios admitem perda de R$ 2,2 bilhões após “taxa das blusinhas” e correm para reestruturar operações

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Brasília – Um ofício interno dos Correios confirma que a introdução da chamada “taxa das blusinhas”, criada pelo programa Remessa Conforme, provocou queda brusca de receitas e escancarou falhas estruturais na estatal. O documento, datado de 19 de fevereiro de 2026 e divulgado por GloboNews e G1, foi reconhecido pela empresa, que cita prejuízos sucessivos desde a mudança nas regras para importações de pequeno valor.

Assinado pela diretora econômico-financeira Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, o texto aponta que, até agosto de 2024, as encomendas internacionais de baixo valor eram praticamente um monopólio dos Correios. Com a alteração regulatória, transportadoras privadas passaram a disputar esse mercado, reduzindo a participação da estatal e revelando “ausência de reposicionamento negocial diante das transformações do comportamento da sociedade”, segundo a executiva.

Instituído em 2023 pelo Ministério da Fazenda, o Remessa Conforme fixou alíquota de 20% sobre compras externas de até US$ 50, medida que ficou popularmente conhecida como taxa das blusinhas. A nova regra gerou, de imediato, frustração de receita calculada em R$ 2,2 bilhões para os Correios.

Indicadores financeiros em queda

No terceiro trimestre de 2025, a receita líquida da empresa caiu 12,7% em comparação anual, somando R$ 12,3 bilhões. O segmento internacional foi o mais afetado: de janeiro a setembro de 2025, as receitas recuaram de R$ 3,2 bilhões para R$ 1,1 bilhão, perda de R$ 2 bilhões.

O ofício ainda menciona que a deterioração operacional comprometeu contratos com grandes clientes, responsáveis por mais da metade do faturamento, gerando um passivo de R$ 3,7 bilhões em obrigações até setembro último. Os resultados consolidados de 2025 estão previstos para março.

Plano de recuperação

Em resposta, os Correios afirmam executar um Plano de Reestruturação dividido em três fases — estabilização, consolidação e crescimento — que inclui captação de R$ 12 bilhões para reforçar o caixa, revisão de custos, modernização dos processos e busca de novas fontes de receita. A estatal reconhece “cenário de forte concorrência” e garante prestar contas regularmente aos órgãos de controle.

Entre as iniciativas para reforçar o capital, a empresa colocou à venda 21 imóveis considerados ociosos em 11 estados. Os lotes vão de R$ 19 mil a R$ 11 milhões e, segundo a direção, não afetarão a prestação de serviços postais.

Paralelamente, o governo federal estuda novo aporte de até R$ 6 bilhões para mitigar o rombo financeiro da companhia, ainda sem data definida.

Os Correios sustentam que todas as medidas seguem “boas práticas de governança” e têm foco na manutenção da universalização dos serviços em todo o território nacional.

Com informações de Gazeta do Povo