Brasília – Os Correios registraram prejuízo de R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, quase o triplo do resultado negativo apurado no mesmo período de 2024 (R$ 2,1 bilhões).
A estatal atribui o rombo à queda acentuada na receita – sobretudo em serviços internacionais – e ao aumento das despesas operacionais e financeiras, em especial gastos com passivos judiciais e encargos da dívida.
Evolução das perdas
No primeiro semestre de 2025, o déficit já somava R$ 4,3 bilhões. Apenas no terceiro trimestre, o resultado negativo foi de R$ 1,6 bilhão, frente a R$ 785,5 milhões em igual intervalo do ano passado.
Em 2024, a empresa fechou o ano com prejuízo de R$ 2,6 bilhões, quatro vezes maior que o registrado em 2023.
Receita em queda, despesas em alta
A receita líquida de vendas e serviços encolheu 12,7% nos nove primeiros meses de 2025, passando de R$ 14,1 bilhões para R$ 12,3 bilhões. O segmento internacional foi o principal responsável pela retração.
Enquanto isso, as despesas gerais e administrativas subiram de R$ 3,1 bilhões para R$ 4,8 bilhões. Os desembolsos com precatórios e Requisições de Pequeno Valor saltaram de R$ 483,6 milhões para R$ 2,1 bilhões, impulsionados pelo aumento de decisões judiciais definitivas, em grande parte trabalhistas.
O custo dos serviços também cresceu em razão de reajuste salarial de 4,11% previsto no Acordo Coletivo 2024/2025 e dos pagamentos relacionados ao Plano de Demissão Voluntária (PDV/2024).
Desafios estruturais
Segundo o relatório financeiro, a obrigação de universalizar os serviços postais gera rigidez de custos, pois a empresa precisa atender a todos os municípios, independentemente da demanda. A concorrência de operadores privados em áreas mais lucrativas, como logística, agrava a situação.
Plano de reestruturação
Em setembro, o Conselho de Administração indicou o economista Emmanoel Schmidt Rondon para a presidência e aprovou um plano de recuperação em três etapas:
- Estabilização: recompor liquidez e estabilizar receitas, contando com a captação de R$ 20 bilhões via consórcio de bancos até o fim deste mês;
- Reorganização e modernização (2026-2027): ampliar receitas, cortar despesas estruturais, reorganizar unidades pouco eficientes, modernizar sistemas e reduzir o déficit do Postal Saúde;
- Crescimento (a partir de 2027): firmar parcerias estratégicas, adotar tecnologias de ponta e ampliar a competitividade no mercado logístico.
O objetivo, segundo a direção, é restabelecer a eficiência operacional e preparar a empresa para um crescimento sustentável.
Com informações de Gazeta do Povo