Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, alegando preocupação com a falta de disciplina fiscal do governo e as incertezas no cenário internacional.
A ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (24), lista como principais fatores de risco as “incertezas sobre a estabilização da dívida pública” e o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, elementos que, segundo o colegiado, podem pressionar as taxas no mercado e dificultar o controle da inflação.
Condução ainda restritiva
Embora reconheça a necessidade de iniciar um ciclo de cortes, o Copom decidiu manter uma postura considerada restritiva para evitar aceleração dos preços. O órgão reforçou o pedido de “harmonia” entre política monetária e política fiscal.
Cenário externo
A tensão no Oriente Médio, agravada após a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial –, também foi citada como motivo de cautela, ainda que não inviabilize reduções graduais dos juros.
Medidas do governo
Em meio à escalada dos preços dos combustíveis e ao calendário eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou ICMS e Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção às produtoras para conter reajustes. O subsídio pode custar até R$ 10 bilhões aos cofres públicos, segundo estimativas mencionadas na ata.
Atividade econômica
O colegiado apontou também a escassez de sinais claros na atividade econômica, o que “dificulta a identificação de tendências” e reforça a opção por cortes graduais.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante”, conclui o documento, ressaltando que a medida busca ainda suavizar as flutuações do nível de atividade e apoiar o emprego.
Com informações de Gazeta do Povo