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Conflito no Irã encarece petróleo em 22,9% e pressiona preços dos combustíveis no Brasil

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A intensificação da guerra no Oriente Médio, após ataques de Estados Unidos e Israel, fez o barril do petróleo Brent saltar 22,9% nos últimos 30 dias. O avanço da cotação, registrado em 5 de março de 2026, eleva o risco de desabastecimento global e reacende o debate sobre interferência política na Petrobras em pleno ano eleitoral.

Estreito de Ormuz no centro da crise

O principal motor da escalada de preços é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transita aproximadamente um terço do petróleo mundial. Quando a passagem é bloqueada pelo Irã, o fluxo de óleo do Golfo Pérsico para os países compradores fica comprometido, reduzindo a oferta internacional e provocando alta imediata nas cotações.

Por que o Brasil sente o impacto

Mesmo produtor relevante, o Brasil depende do mercado externo para cerca de 25% do diesel, além de parcelas da gasolina e do gás de cozinha (GLP). Como essas importações são realizadas em dólar e seguem valores internacionais, qualquer aumento lá fora chega às bombas dos postos brasileiros.

Efeitos em cadeia para o consumidor

A alta do combustível atinge primeiro o preço na bomba. Em seguida, encarece o frete rodoviário, já que caminhões usam diesel. Com o transporte mais caro, produtos como alimentos, remédios e roupas chegam às prateleiras com valores maiores, pressionando a inflação. A terceira onda do efeito pode atingir o agronegócio, pois fertilizantes importados do Oriente Médio ficam mais caros e escassos.

Pressão sobre a Petrobras

Em 2026, ano eleitoral, cresce a pressão para evitar que a inflação avance. Especialistas veem risco de o governo usar a Petrobras para segurar preços artificialmente, obrigando a estatal a vender combustível abaixo do custo de importação. Prática semelhante no passado gerou dívidas bilionárias e comprometeu a saúde financeira da companhia.

Temor de estagflação

Com o petróleo caro, a tendência é de juros elevados por mais tempo para conter a inflação. O cenário combina crescimento fraco com preços em alta — quadro conhecido como estagflação —, que reduz a oferta de empregos e o poder de compra das famílias.

As perspectivas para o mercado de combustíveis seguem incertas enquanto o conflito no Oriente Médio mantiver o Estreito de Ormuz como ponto de tensão geopolítica.

Com informações de Gazeta do Povo