A Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou o pior Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) para o mês de janeiro desde 2016. O indicador avançou 0,5 ponto em relação a dezembro, alcançando 48,5 pontos em janeiro de 2026, mas permaneceu abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
Segundo a CNI, a última vez que o índice esteve tão baixo para o primeiro mês do ano foi em janeiro de 2016, quando marcou 36,6 pontos, durante a recessão no segundo mandato de Dilma Rousseff.
Custo do crédito pesa
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a sequência de aumentos da taxa Selic iniciada no fim de 2024 é o principal fator que tem afetado a percepção dos industriais. “À medida que os juros subiram e o impacto foi sentido na atividade econômica, a confiança se deteriorou”, afirmou.
Metodologia da pesquisa
A edição de janeiro do ICEI ouviu 1.058 empresas — 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes — entre 5 e 9 de janeiro de 2026.
Referência histórica
A pior leitura registrada pelo ICEI ocorreu em 2016, ano em que a ex-presidente Dilma Rousseff perdeu o mandato. À época, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o governo atrasava ressarcimentos a bancos públicos, prática conhecida como pedaladas fiscais. O TCU estimou que, apenas no primeiro semestre de 2015, os repasses atrasados somaram R$ 40 bilhões, elevando artificialmente o resultado das contas públicas em mais de R$ 10 bilhões em 2013 e R$ 7 bilhões em 2014.
O atraso violava a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe empréstimos de bancos públicos à União, e contribuiu para o ambiente de incerteza econômica de 2016.
Com informações de Gazeta do Povo