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Condenações de banqueiros no Brasil: penas, prisões relâmpago e sentenças anuladas

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Da quebra do Banco Nacional, nos anos 1990, à liquidação do Banco Master, em 2025, diversos executivos do sistema financeiro brasileiro chegaram a ser presos ou condenados. Na prática, porém, nenhum cumpriu integralmente a pena imposta pela Justiça: sentenças foram reduzidas, anuladas ou esbarraram em recursos que se arrastaram por anos.

Marcos Magalhães Pinto – Banco Nacional

Quem: ex-presidente do Banco Nacional
Condenação: 28 anos e 10 meses em 2002, reduzida para 12 anos e 2 meses em 2010
Situação: ficou menos de 24 horas preso. Em 2013, aos 78 anos, foi detido e liberado horas depois. Morreu em abril de 2023.

Salvatore Cacciola – Banco Marka

Quem: proprietário do Banco Marka
Condenação: 13 anos em abril de 2005 por peculato e fraude
Situação: preso 37 dias em 2000, fugiu para a Itália, extraditado em 2008. Cumpriu pena até agosto de 2011, obteve liberdade condicional e teve a punição extinta em 2012 por indulto natalino.

Edemar Cid Ferreira – Banco Santos

Quem: fundador do Banco Santos
Condenação: 21 anos em dezembro de 2006 por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros crimes
Situação: preso duas vezes em 2006, ficou três meses em Tremembé. Sentença anulada em 2015 por vícios processuais. Morreu em janeiro de 2024 sem novo julgamento.

Ângelo Calmon de Sá – Banco Econômico

Quem: presidente e controlador do Banco Econômico
Condenação: 7 anos em regime semiaberto em julho de 2014
Situação: pena confirmada após recurso do Ministério Público. Não há registro de cumprimento integral; foi proibido por 20 anos de atuar no sistema financeiro desde 2006.

Daniel Dantas – Banco Opportunity

Quem: sócio-fundador do Opportunity
Condenação: 10 anos em dezembro de 2008 por corrupção ativa
Situação: preso duas vezes em julho de 2008 e liberado por habeas corpus. Sentença anulada em 2011 pelo STJ; anulação confirmada pelo STF em 2015.

Ricardo Guimarães – Banco BMG

Quem: presidente do BMG
Condenação: 7 anos em dezembro de 2012, em regime semiaberto, por empréstimos simulados ligados ao mensalão
Situação: recorreu em liberdade e não foi preso.

Kátia Rabello – Banco Rural

Quem: presidente do Banco Rural
Condenação: 16 anos e 8 meses em setembro de 2012, no julgamento do mensalão
Situação: cumpriu cerca de três anos e meio, iniciando em regime fechado em 2013. Progrediu para semiaberto em 2015 e aberto em 2016. Teve a pena extinta em 2019 por indulto.

André Esteves – BTG Pactual

Quem: sócio-fundador do BTG Pactual
Condenação: não condenado
Situação: preso temporariamente em 25 de novembro de 2015 na Lava Jato, permaneceu 23 dias em Bangu 8. Preventiva revogada; investigação arquivada em 2018.

Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima – Banco Master

Quem: controlador e ex-CEO do Banco Master
Condenação: não condenados
Situação: presos preventivamente em 17 de novembro de 2025, acusados de fraude estimada em R$ 12,2 bilhões. Soltos em 28 de novembro por decisão do TRF-1, que impôs medidas cautelares.

Os episódios mostram que, embora o sistema financeiro nacional tenha registrado prisões de alto escalão nos últimos 30 anos, fatores como idade dos réus, nulidades processuais, recursos sucessivos e indultos presidenciais impediram o cumprimento integral das penas.

Com informações de Gazeta do Povo