Brasília, 15 set. 2025 – A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criou um ambiente de incerteza que pode travar projetos centrais da pauta econômica, como a regulamentação da reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil.
Instabilidade chega ao Congresso
Parlamentares avaliam que a mobilização por uma eventual anistia ao ex-presidente pode deslocar o foco da Câmara e do Senado das discussões fiscais. Líderes do Centrão e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tentarão nesta semana conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), sobre a medida.
A economista-chefe da InvestSmart XP, Monica Araújo, alerta que uma paralisação do Legislativo “traria impacto relevante para pautas nacionais importantes”. O projeto de isenção do IR é considerado pelo Planalto a principal aposta para recuperar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da disputa de 2026.
Projetos sob risco de atraso
A regulamentação da reforma tributária aprovada em 2024 depende de leis complementares ainda não votadas. Já a Medida Provisória 1.303, que trata da tributação de aplicações financeiras e ativos virtuais, precisa ser apreciada até 8 de outubro para não perder a validade. Na semana passada, o governo recuou e concordou em manter a isenção de IR para debêntures incentivadas.
Mercado reage a possível sanção dos EUA
Investidores monitoram a possibilidade de Washington aplicar a Lei Magnitsky a autoridades brasileiras envolvidas no julgamento. A consultoria Eurasia Group cita a chance de suspensão de vistos, enquanto analistas da Genial Investimentos veem risco de punições a ministros da Primeira Turma do STF.
O dilema atinge bancos brasileiros após decisão do ministro Flávio Dino, de agosto, que veta o cumprimento automático de ordens estrangeiras sem aval da Justiça nacional. Instituições que mantenham relações com eventuais sancionados podem ser penalizadas pelos Estados Unidos ou, em sentido oposto, pelo STF, caso cumpram as sanções unilaterais.
Confiança em queda
Antes mesmo da condenação, o Índice de Confiança Empresarial do FGV Ibre já havia recuado ao menor patamar desde março de 2021. Analistas da XP Investimentos e da SHS Investimentos afirmam que a escalada política aumenta a volatilidade e pode levar estrangeiros a reduzir exposição no país.
Paralelamente, o mercado teme novos aumentos de tarifas pelo governo norte-americano, embora a carga já seja de 50% para grande parte dos produtos brasileiros. Uma linha de ação considerada é pressionar países que compram derivados de petróleo da Rússia, o que afeta o Brasil, grande importador de diesel russo.
Reflexos eleitorais
A sentença contra Bolsonaro antecipa a corrida presidencial de 2026. A Genial Investimentos prevê intensificação do debate político e mais oscilações no mercado, enquanto parte dos analistas vê chance de fortalecimento de candidaturas de centro, consideradas mais previsíveis pelo setor financeiro.
O desfecho das negociações no Congresso e a resposta do governo a possíveis sanções definirão o ritmo da economia nos próximos meses.
Com informações de Gazeta do Povo